Coesão externa e muita disputa interna


As operadoras de telecomunicações e a indústria encerraram nesta quarta, dia 10 de setembro,  o seu maior evento, quando foi lida a Carta de Brasília, com um posicionamento sobre os desafios do setor para o futuro, com propostas concretas para o desenvolvimento do país. O estudo realizado pela  economista Claudia Viegas, da LCA, que embasa a proposta será entregue aos candidatos à Presidência da República e deveria ser lido pela equipe que formula os programas desses candidatos, pois está muito bem estruturado e com sugestões factíveis de serem realizadas. Conforme a economista, se forem adotadas as medidas sugeridas, em alguns anos o Brasil  passa a fazer parte do rol das 20 economias mais competitivas do planeta.

Se no campo externo o setor se apresenta coeso e formulador de propostas para o desenvolvimento do país, o  fato é que o SindiTelebrasil, a entidade criada para representar a voz das empresas do setor, é um vulcão em ebulição. A acirrada disputa que se coloca no mercado brasileiro entre os principais players  ganha proporções ainda maiores na condução da entidade. E, durante os dois dias de evento, não faltaram trocas de farpas.

A disputa que eclodiu  agora gira em torno dos recursos da entidade. Quando o sindicato foi criado, foi estabelecido também o valor de contribuição de cada empresa. É uma tabela complexa com vários itens e quesitos, mas, em síntese, as empresas contribuem conforme o faturamento. Quem fatura mais, paga mais.

Segundo diferentes interlocutores, a Telefônica –  uma das maiores contribuintes – avisou este ano que teria que diminuir sua participação. Os demais associados não  concordaram e restou o impasse. O presidente da Telefônica, Antonio Carlos Valente, afirmou ao Tele.Síntese que a empresa continua a trabalhar para o fortalecimento da entidade, mas  aguarda a aprovação do orçamento de 2014 do sindicato, que até hoje não foi aprovado pelos pares. O presidente do SindiTelebrasil, José Formoso, da Embratel,  também formalmente negou ao Tele.Síntese que esteja havendo qualquer disputa interna,  salientando apenas que “os problemas são os mesmos de sempre”.

Conforme outros interlocutores há, porém,  um problema sério de recursos, e,  se não for resolvido, o sindicato terá que diminuir as suas atividades.

E a disputa não se dá apenas sobre o valor a ser repassado pela Telefônica. Alguns executivos argumentam que o grupo América Móvel também deveria aumentar a sua contribuição à entidade, visto que atualmente não considera as receitas da NET para o cálculo do montante a ser repassado. “Ora, a NET faz parte do mesmo grupo”, retruca um executivo. Mas aqueles que defendem a posição do grupo argumentam que o principal serviço da NET ainda é o de TV  paga,  serviço esse que não é representado pelo SindiTeleBrasil.

Em outra frente, a TIM se irritou com a decisão de que somente as concessionárias poderiam se manifestar na consulta pública sobre os contratos de concessão – o que acabou inviabilizando a contribuição do sindicato ao tema – e a Oi é acusada de querer inviabilizar o leilão de 700 MHz. Interlocutores da concessionária reagem a esta acusação, alegando que está fazendo as contas, como os demais grupos.

O que tranquiliza é que, pelo tom das  acusações mútuas feitas  nos bastidores e pela disputa aberta nas reuniões do sindicato, podemos ter a certeza de que  nunca haverá o risco da cartelização ou de ação combinada de preços no setor de telecomunicações. E o Brasil só tem a ganhar.

 

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