Vivendi pode enfrentar os mesmos problemas da Telefônica no Cade


O contrato assinado entre a Telefónica e a Vivendi é complicado e merecerá uma análise acurada do Cade e da Anatel. Esta é a avaliação de advogados que trabalham com defesa da concorrência, em relação ao fato da operadora espanhola transferir para o grupo francês sua participação na Telecom Italia e ainda uma parte das ações da Vivo.

“É o mesmo que transferir para outra companhia uma situação já condenada pelo Cade, ou seja, a Telefónica passou seu problema para a Vivendi”, disse uma das fontes ouvidas pelo Tele.Síntese. De qualquer forma, o advogado acredita que nada será decidido antes que os dois órgãos tenham acesso aos termos da operação. “É uma situação bem complicada”, disse.

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Outro especialista entende que o negócio melhora o quadro concorrencial. Segundo ele, apesar de passar a ter participação em duas empresas concorrentes – a TIM e a Vivo – a Vivendi não atuará como operadora como a Telefônica. Sobre a possibilidade de interferir nas decisões das operadoras, o advogado acredita que as empresas saberão defender seus interesses. “Além do mais, o Cade e a Anatel têm instrumentos para evitar constrangimentos à competição”, disse.

Pelo acordo, divulgado nesta sexta-feira (19) pelas duas companhias, a operadora espanhola vai desembolsar 4,6 bilhões de euros em dinheiro à vista. A Vivendi também vai receber 7,4% das ações da Telefônica Brasil, e 5,7% das ações da Telecom Italia detidas pela Telefónica.

Como a conclusão do negócio está subordinado à aprovação do Cade e da Anatel, a expectativa é de que os pedidos de anuência prévia sejam apresentados aos órgãos nos próximos dias.

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