Vinícius Oliveira: A terceira onda da Internet está chegando – e será um tsunami


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Vinícius Garcia de Oliveira é engenheiro responsável pelos processos de inovação da Diretoria de Redes Convergentes do CPqD

Por Vinícius Garcia de Oliveira*

Com o advento da web 2.0, que tem a mobilidade como plataforma, a internet entrou definitivamente em nossas vidas, tornando-se tão fundamental quanto a água e a energia elétrica. Neste momento, fenômeno semelhante está acontecendo – porém, com as coisas. É a web 3.0, a terceira onda da internet, que está chegando com a força de um tsunami.

Na verdade, a proposta de objetos conectados à internet não é novidade: desde o início dos anos 80, já se enxergava o potencial de acessar as coisas pela web. Porém, nos últimos anos, a oferta de coisas conectadas aumentou vertiginosamente – e hoje vai de câmeras de segurança de alta definição a torradeiras que imprimem, por calor, a previsão do tempo no sanduíche matinal.

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Mas será que a Internet das Coisas (IoT) é apenas a somatória de objetos conectados à web? A resposta é, definitivamente, não.

Antes de mais nada, é preciso entender o momento em que se encontra essa tecnologia e o que ainda falta para a consolidação dessa nova transformação social. Por mais inovador que possa parecer acender ou apagar as luzes de casa pelo smartphone, não é esse nível básico de interação com as coisas que fará da IoT essa onda transformadora da sociedade. Para isso, será necessário atender três princípios de projeto e superar três desafios.

Eis os requisitos de projeto essenciais:

Uso Irrestrito – Um objeto inteligente não deve ser concebido para um fim, ou problema, específico; ele deve ser o mais aberto possível para diversos usos – especialmente os ainda não previstos. Por exemplo: uma pulseira de medição dos batimentos cardíacos, que hoje “conversa” com aparelhos de ginástica – como um produto para fitness -, fornece informações úteis também para aplicações em saúde ou biometria. A IoT deve romper com a forma verticalizada de pensar, permitindo a inovação por meio da horizontalização.

Cooperação irrestrita – A grande maioria dos objetos conectados atualmente se comunica com aplicativos que nasceram para esse fim, com forte dependência da ação humana. Mesmo quando objetos cooperam diretamente (por exemplo, uma máquina de lavar com uma lâmpada, que pisca quando o ciclo de lavagem termina), a impressão é que foram concebidos com capacidade de interação limitada e apenas para poucas aplicações. Deve ser requisito de projeto criar objetos que possam ser acessados de forma padronizada e sem limites para a cooperação.

Invisibilidade – Hoje, quanto maior o foco na conectividade e inteligência de um objeto, mais atenção ele ganha dos aficionados por tecnologia. Porém, o sucesso da IoT depende, justamente, da lógica contrária: a conectividade e a inteligência devem ocorrer nos bastidores, de forma automática, sem depender da ação ou conhecimento do usuário final.

Para cumprir esses requisitos, é necessário superar três desafios principais:

Custo – Inteligência e conectividade têm seu custo e, atualmente, a cifra está na casa de uma dezena de dólares. É um custo bastante aceitável para produtos de maior valor agregado, como televisores inteligentes. Mas, para chegar a bilhões de objetos conectados, é necessário incluir produtos de menor valor, como uma cadeira ou uma placa de sinalização de trânsito. Assim, a tecnologia precisa evoluir para reduzir o custo para alguns poucos dólares – ou dezenas de centavos de dólar.

Padronização – Existe hoje no mundo uma proliferação de padrões em IoT – apesar de todos concordarem que deve haver um só padrão. Ter uma IoT padronizada, única, é fundamental para a cooperação irrestrita, além de favorecer a redução do custo, pelo ganho de escala nos chipsets.

Segurança – A IoT promete benefícios nunca antes alcançados, mas que atraem ameaças também sem precedentes. Imagine um hacker abrindo o porta-malas de um carro andando a 120 km/h em uma via expressa; ou interrompendo todo o abastecimento de energia elétrica de uma cidade. Entre muitas ameaças, a IoT agrava o risco da chamada guerra cibernética.

Sem dúvida, a onda da IoT será bem maior do que as duas ondas anteriores da internet. Mas ainda há muito a evoluir e os desafios não são pequenos. A missão só pode ser vencida com a forte interação da indústria, dos órgãos de padronização, universidades e centros de pesquisa. Para isso, é essencial fomentar o debate amplo, envolvendo tanto quem desenvolve a tecnologia quanto quem a utiliza.

*Vinícius Garcia de Oliveira é engenheiro responsável pelos processos de inovação da Diretoria de Redes Convergentes do CPqD

 

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