Viavi vê obstáculos para implantação rápida do 5G no Brasil


 

Everton Souza, para o executivo, falta de mão-de-obra qualificada é um dos problemas. Foto: Divulgação
Everton Souza, para o executivo, falta de mão-de-obra qualificada é um dos problemas. Foto: Divulgação

O leilão de frequências do 5G, marcado para acontecer nesta quinta-feira, 4, vai chegar com problemas a serem resolvidos e que podem atrasar a implantação da tecnologia, prevê o gerente de contas e especialista em pré-vendas Wireless Latam na Viavi, Everton Souza. “Existem uma série de obstáculos que a gente precisa vencer para fazer um deployment massivo do 5G no Brasil”, disse.

Segundo Souza, toda inversão de tecnologia, ainda mais do porte do 5G, depende de mudança de cultura, capacitação e de testes, serviços prestados pela Viavi. Foi o único fabricante de equipamentos que participou dos testes de convivência com os serviços de 5G e TV por satélite na faixa de 3.5 GHz.

PUBLICIDADE

Para evitar problemas, disse Souza, é preciso estabelecer procedimentos bem definidos, qualificação da mão de obra que vai trabalhar na implantação na ponta, equipamentos e inteligência para que a instalação seja feita de uma única vez. “Revisitas vai aumentar ainda mais o custo dessa tecnologia”, disse.

“A Viavi hoje tem um portfólio bem vasto, com equipamentos que une vários tipos de tecnologias e totalmente inteligentes, ligados na nuvem, que permite automatizar todos os tipos de testes, sem depender de muito conhecimento da mão de obra na ponta”, disse. Segundo Souza, a empresa tem ajudado muitas operadoras a implantar o 5G no mundo, inclusive com programa de capacitação certificada.

Desafios

O primeiro desafio a ser enfrentado e com “o carro andando” porque já foi estabelecido o prazo para implantação do 5G nas capitais até meados do ano de 2022, é a questão das legislações municipais para implantação das antenas “Apesar dos esforços do Ministério das Comunicações e da Anatel, isso não caminhou de maneira satisfatória e pode atrasar a instalação de sites do 5G”, disse.

Como exemplo, Souza citou a subprefeitura de Higienópolis, na capital paulista, que proíbe a instalação de mais antenas no bairro. “Tem locais que existe esse engessamento, essa falta de legislação homogênea, desde o governo federal até os menores municípios”, disse.

O segundo problema, citado pelo gerente da Viavi, seria a questão dos postes. “Baseado no histórico que temos, até de países que estão na segunda fase, o 5G passa pela massificação da fibra e, consequentemente, por ele utilizar frequências mais altas, é necessária uma densificação muito maior de antenas que as tecnologias anteriores, podendo chegar a 10 vezes a mais”, disse.

– A maioria das smalcell, microcell e até nanocell outdoors, precisaria ser instalada na altura no máximo de um poste ou até mesmo de um mastro mais baixo por causa da baixa propagação”, disse. Além disso, a capacidade de gerenciamento de feixes de cobertura, que são totalmente diretivos e finos, e ainda têm uma baixa propagação, precisa estar funcionando bem.

Souza mencionou o uso de Massive MIMO, que utiliza tecnologia de emissão de sinal por múltiplas antenas para acelerar a troca de dados entre o terminal e a rede da operadora. Enquanto o MIMO tradicional recorre a quatro antenas para irradiar e receber sinal de um aparelho, o Massive MIMO usa dezenas delas. Ou seja, há eficiência de espectro e de energia. Porém, os dispositivos gastam mais energia devido a troca muito grande de dados.

Capacitação

Outro desafio apontado pelo gerente da Viavi, que já se verificou na Ásia, Estados Unidos e na Europa, países que já implantaram o 5G, é de uso de uma tecnologia nova, complexa. “Geralmente, quando se tem uma inversão de tecnologia há uma série de paradigmas que precisam ser quebrados, como a capacitação e treinamento das pessoas que estarão envolvidas com essa nova tecnologia”, disse. A densificação de antenas a serem instaladas vai necessitar de pessoal capacitado na ponta e o número de pessoas ou empresas envolvidas que tenham expertise para realizar esse deployment massivo é outro problema a ser enfrentado.

A dolarização de equipamentos; a falta de insumos, que ainda não tem um prazo de solução final; a demora das entregas de equipamentos são outros problemas que podem dificultar o avanço do 5G no país, na opinião do gerente da Viavi.

Redes

De acordo com Everton Souza, as redes de fibra tiveram um crescimento exponencial nos últimos anos, por meio do crescimento dos ISPs. “Porém, sempre baseado no que observamos em outros países, o 5G passa pela massificação da fibra para escoar o tráfego que vem prometendo, e o Brasil ainda está atrasado na última milha”, disse.

Para Souza, as redes neutras avançam no fornecimento da capilaridade para o 5G. “Essas empresas têm facilidades na área tributária e sem dúvida vão ser um instrumento para acabar com os imensos gaps ainda observados”, disse.

PUBLICIDADE
Anterior Motorola Solutions volta a crescer e vê oportunidade na rede privativa do governo
Próximos Acesso ao espectro poderá Integrar o próximo PGMC