Venda de equipamentos do 5G preocupa GSI


GSI defende compra de equipamentos 5G de dois fornecedores
Crédito: Freepik

Segurança cibernética, cortes nos postos de trabalho, origem dos equipamentos a serem vendidos e aumento na produtividade brasileira, foram os principais assuntos apontados por parlamentares e especialistas em relação à implantação do 5G no país. O debate ocorreu nesta quinta-feira, 18, durante audiência pública na Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado.

O  coordenador-geral de Gestão de Segurança da Informação do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, Victor Hugo da Silva Rosa, disse que o 5G representa “uma quebra de paradigma” por permitir a comunicação não mais entre humanos, mas entre máquinas. Até então, a comunicação era humana. Na ocasião, ele apontou vários “fatores de risco” que precisam ser levados em conta com a nova tecnologia. Entre eles, o aumento da superfície de ataques e a velocidade na comunicação.

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Para Rosa, a venda de equipamentos de 5G para as empresas que terão de prestar o serviço no país se tornou uma preocupação para o GSI. O órgão teme que elas adquiram produtos de um único fornecedor e que isso provoque vulnerabilidades na rede. As questões relacionadas ao mercado estão na Instrução normativa nº4 e na resolução da Anatel sobre os requisitos mínimos que devem ser seguidos na implantação da tecnologia de quinta geração determinam a subcontratação de fornecedores distintos. A intenção é que uma mesma região tenha, pelo menos, duas prestadoras que utilizem equipamentos de fornecedores diferentes.

“Imagina se São Paulo está apenas na mão de um fornecedor e tem uma vulnerabilidade que ele não consegue corrigir em tempo, sanear, toda a rede estaria comprometida”,  declarou Rosa.

Benefícios

Para o senador Jean Paul Prates (PT-RN), os benefícios gerados pela tecnologia de quinta geração vão mudar as formas de produção e os modelos de negócio ao redor do mundo.com a adoção da inteligência artificial, internet das coisas (IoT), computação em nuvem, robótica e realidade virtual. Até o dia 9 de dezembro, ele deve apresentar relatório final sobre o acompanhamento da política pública da implantação do 5G. Também mostrou preocupação com a segurança dos dados. “A vulnerabilidade das redes de comunicação pode permitir ataques criminosos nos mais diversos setores, que podem resultar em prejuízos incalculáveis. O que se deve fazer para tornar as redes de comunicação mais seguras?”, declarou.

O diretor da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) Arthur Pereira Sabbat alerta para os riscos à privacidade de informações pessoais e das empresas. Na sua opinião, a tecnologia do 5G vai proporcionar um aumento no tráfego de dados e a segurança precisa ser preservada. “Haverá aumento na coleta e nas operações de tratamento de dados, uma vez que esses equipamentos necessitam de variadas quantidades de dados pessoais para serem eficientes a seus proprietários e oferecerem a comodidade a que eles se propõem. A segurança cibernética não existe sem a proteção dos dados pessoais e vice-versa”, revelou.

Já o diretor-geral da empresa Kryptus, Roberto Gallo, disse que o 5G representa uma promessa de desenvolvimento econômico de US$ 13,2 trilhões até 2035, e um dos desafios é garantir proteção no ambiente virtual. “Existe um teorema fundamental da computação que diz que é impossível provar que um sistema é seguro. Há uma impossibilidade matemática para que isso aconteça. Todos estamos sujeitos aos mecanismos embarcados nesse tipo de tecnologia, seja acidental ou propositalmente. O homem púbico pode ser chantageado por conta de uma opinião. A espionagem pode atingir a indústria, pode atingir Estados, pode atingir usuários”, afirmou.

Tecnologia na indústria

Um dos setores que será alavancado pela tecnologia de quinta geração a indústria foi alvo de preocupação durante o debate desta quinta-feira. Especialistas temem que a evolução tecnológica provoque cortes de postos de trabalho.

O representante da Confederação Nacional da Indústria (CNI) Renato da Fonseca disse que o baixo incentivo público à inovação e a falta de trabalhadores qualificados ainda são desafios para a implantação da chamada quarta revolução industrial no Brasil, que também irá demandar diferentes equipamentos em sua rede. “Desde a primeira revolução industrial, existe esse medo da perda de empregos para as tecnologias. Mas, quando a gente olha uma série longa de taxa de desemprego no Reino Unido, ela pouco muda. A longo prazo novos empregos aparecem. Em curto prazo, existe um custo. Quando a gente tira 100 cortadores de cana e substitui por uma colheitadeira só precisa de sete pessoas qualificadas. Como faço para realocar aqueles 100 trabalhadores em um país em que a maioria não tem uma educação adequada? O investimento para recolocação é importantíssimo, e um programa de renda mínima é essencial para receber essas pessoas”. Ele admitiu ainda a possibilidade de cortes em postos de trabalho no país a curto prazo.

Segundo Marcela Carvalho, da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), a tecnologia deve proporcionar maior flexibilidade, versatilidade, redução de custos e aumento de produtividade para os empresários. “O aproveitamento dos trabalhadores vai depender de capacitação pelo poder público. Estima-se que com a chegada do 5G a indústria deve gerar 200 mil novos empregos formais”. Apesar disso, Carvalho fica em dúvida se saberemos aproveitar esses empregos. “Isso vai depender das politicas públicas para treinamento e qualificação dos profissionais que atuam hoje nessas fábricas. Haverá criação de empregos e substituição de empregos. O que se diz no mundo inteiro é que o saldo será positivo, mas o governo precisa atuar no sentido de treinar sua mão de obra”, avaliou.

Aumento da produtividade

Para a diretora de Relações Institucionais da Ericsson para a América Latina, Jacqueline Lopes, o potencial de receitas com o processo de digitalização é de R$ 391 bilhões até 2030. Desse total, R$ 153 bilhões são relacionados apenas ao 5G. “Esse valor não traz benefícios somente para o setor de telecomunicações. Ele é transversal. É um vetor de transformação em diversos segmentos, como saúde, indústria, segurança pública e educação. Esses setores terão um aumento de conectividade entre 65% e 85% até 203”, estimou.

Marcelo Motta, diretor de segurança cibernética da Huawei na América Latina, disse que as redes 5G e seus equipamentos podem ajudar a reverter uma tendência de queda na produtividade das empresas brasileiras. “Na última década, a indústria perdeu produtividade, e a gente tem a oportunidade de usar essa tecnologia para trazer mais competitividade. O impacto econômico pode gerar um crescimento de 2,5% ao ano no setor privado durante 15 anos consecutivos. É uma contribuição de 40% ao Produto Interno Bruto brasileiro na indústria, na mineração e na agricultura”, avaliou.

 

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