Vanderlei Rigatieri – As oportunidades de negócio no Wi-Fi pelo Brasil


Por Vanderlei Rigatieri*

(Crédito: Divulgação)
(Crédito: Divulgação)

Quem tem um smartphone já passou pela situação de ficar procurando uma rede Wi-Fi pra se conectar, seja quando está viajando ou quando precisa ver um vídeo ou algo mais pesado no telefone. Essa é a realidade da maioria dos assinantes, mesmo que o smatphone seja 3G ou já os novos 4G (LTE).

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Com o crescimento da base de clientes das operadoras de 3G não dá pra imaginar que as redes de telefonia deem conta do crescente tráfego gerado por adolescentes, executivos, etc. Facebook, Twitter, Youtube, consomem muita banda-larga e atualmente a nossa geração de consumidores não aceita esperar.

Queremos acessar agora, afinal é nesse momento que sobrou um tempinho pra ver as noticias, os posts dos amigos, enfim, é nesse momento que quero ver, e as redes 3G nem sempre conseguem dar essa vazão.

Como sempre digo, o “job to be done” dos smartphones e tablets é economizar nosso tempo, ou seja, compramos esses aparelhos pra aproveitar cada momento pra fazer algo produtivo ou divertido. Por isso, estima-se que o trafego de dados nesses aparelhos deve crescer mais de 50% ao ano.

Essa frustração passa na cabeça de muitos assinantes, afinal as redes congestionadas das operadoras é um fato. Wi-Fi passa a ser a alternativa para que possamos ter velocidade, ter aquele tempinho a mais na vida pra ver o que não dá pra ver no trabalho.

Quero adicionar um outro ponto curioso sobre a internet no Brasil, minha empresa WDC Networks, trabalha desde 2014 com WISPs – ou Wireless Internet Service Providers, que estão presentes em todas as 5.600 cidades brasileiras. Esse é um tipo de empresa pequena ou média, que ainda tem o dono na operação , ou seja, um profissional técnico que ganha a vida oferecendo Internet para consumidores Classe C ou D e vem cumprindo o papel de incluir digitalmente uma parcela enorme da população. Eles usam a tecnologia Wi-Fi para distribuir sinal a residências, pequenos negócios. Quando constroem suas torres levam o serviço para qualquer lugar.

Esse grupo de empresas, que passa de 5.000, com licenças de SCM consegue atender hoje praticamente 18% de todos os acessos de banda-larga no país. Se somados, seriam a quarta maior operadora de telecomunicações do país.

Claro que as estatísticas oficiais podem mostrar menos, mas quem sabe o dia a dia deles, e conhece a realidade depois de ter rodado 50.000Km de estradas conhecendo esses heróis da internet , sabe que existe uma potência empresarial por trás deles. Eles conhecem muito da tecnologia wireless Wi-Fi .

Se juntamos esses dois temas, a necessidade de Wi-Fi em qualquer lugar e esse grupo de empresas WISP’s, temos uma mistura explosiva.

Se o assinante de 3G está em toda a cidade, precisa de velocidade no acesso e existe um grupo enorme de empresas que entende de Wi-Fi para atender essa demanda, sem que isso custe um absurdo, há potencial de negócios. Eles podem ser os “Reis do WI-FI”.

As operadoras tradicionais de telefonia até que podem construir suas redes de Wi-Fi, mas nós sabemos que atualmente a prioridade estratégica deles é gastar rios de investimento nas redes LTE- 4G. Afinal, eles pagaram muitos milhões de dólares pelas licenças da Anatel e tem prazos de implantação. Talvez nem tenham tempo de pensar em Wi-Fi.

As operadoras colocaram nas mãos de milhões de brasileiros uma ferramenta de trabalho e diversão, os “smartphones” . Até serão beneficiados com incentivos fiscais pelo Governo Federal, se produzidos no país, pois se tornaram uma ferramenta de inclusão e de produtividade.

Existe sim um grande potencial desses WISP’s abocanharem esse mercado assim como o provedor da cidade de Cerquilho, interior de São Paulo, que está iniciando a construção de hot-spots na cidade com esse objetivo. Claro que existem barreiras para isso, e acredito que a maior seja o fato deles nem terem descoberto esse potencial. Com o crescimento da banda larga, em 2013, acima de 25% essa oportunidade pode ter passado despercebida.
Os provedores locais (WISP’s) podem se tornar os “Reis do Wi-Fi” no Brasil, sem que precisem de uma revolução. Os – “Reis do Wi-Fi” – podem assumir na sociedade um domínio da mobilidade de dados, desbancando as grandes operadoras, sem ter que alterar suas redes, sem ter que investir em novas licenças, simplesmente explorando a tecnologia que eles mais entendem.

Defendo que internet banda-larga é um dos pontos mais importantes de desenvolvimento do PIB . Assim como se discute a importância da infraestrutura como fator decisivo para crescimento, a qualidade e abrangência da banda-larga farão o desenvolvimento econômico do país .

A proposta aqui é simples, deixemos os nossos “Reis do Wi-Fi” construírem essas redes Wi-FI , limpas e baratas, e vamos ter uma explosão de desenvolvimento no Brasil.

*Vanderlei Rigatieri é proprietário da WDC Networks 

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