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Uso do solo precisa de regras, diz especialista em agricultura sustentável

Para Antônio Teixeira, do IBA, regulação é necessária porque produtor rural pode transformar um espaço de terra agricultável em um deserto sem que seja multado, o que impede que futuras gerações usem o solo
Antônio Nascimento Silva Teixeira, presidente do Instituto Brasileiro de Agricultura Sustentável - TV Síntese
Antônio Nascimento Silva Teixeira, presidente do Instituto Brasileiro de Agricultura Sustentável – TV Síntese

O Brasil precisa de regras também para o uso do solo. É o que apontou Antônio Nascimento Silva Teixeira, presidente do Instituto Brasileiro de Agricultura Sustentável (IBA), durante sua participação nesta quarta, 22, no painel “Cidades Que Inspiram”, do Smart Cities Mundi.

“Qualquer produtor rural pode transformar seu solo num deserto e não ser multado por isso. Precisamos ter regras para uso do solo de forma que as futuras gerações possam continuar utilizando esse patrimônio, que é o solo”, disse Teixeira.

Em relação ao segmento em que o IBA atua, ele disse que o público está ficando mais exigente em relação à alimentação sustentável.

“Esse mercado ainda é pequeno, mas crescente, no Brasil. Cresce mais que o mercado dos não conscientes. Ainda há muita gente que se preocupa mais se tem um bichinho no alface do que se tem agrotóxico.”

Teixeira pediu um cadastramento mais efetivo para reconectar o produtor com o consumidor final. Citou como exemplo a Europa, onde são comuns os eventos gastronômicos em praças, normalmente com aulas de gastronomia sustentável.

Iniciativa

Contou que em Uberaba (MG), por iniciativa da prefeitura, há uma experiência de aproximação do produtor com o público.

“O consumidor precisa saber se naquele alimento se está usando agrotóxico. Estudantes de agronomia poderiam fazer essa conexão do público com alimentos saudáveis. Propomos exatamente isso: a reconexão do ser humano urbano com a natureza por meio da prazerosa prática de preparar alimentos em praças públicas”, falou o presidente do IBA.

Para ele, a sociedade evoluiu muito na parte tecnológica, mas a ansiedade e a saúde do povo vem só aumentando. “Isso pode ser causado pela desconexão do ser humano com a natureza. Nossa proposta de reconexão através da alimentação vai desde a produção até o comércio em feiras e pequenos mercados. O preparo desses alimentos e o consumo são experiências que podem reconectar as pessoas”, reforçou.

“Mas é necessário também trazer o produtor para o debate, para esse convívio. E mais que isso, o consumidor precisa saber o que está comprando, se aquilo é realmente sustentável”, concluiu.

Conectividade

Regis Salmaso, diretor de desenvolvimento de negócios da Movtell e também painelista do SmartCities Mundi, lembrou que nada disso será possível sem conectividade.

“Se incluirmos o pequeno e o médio produtor, podemos chegar em até 91% das propriedades rurais do país sem conectividade. Isso precisa de um trabalho muito bem planejado para ser resolvido”, falou o executivo da Movtell, companhia com atuação na área rural do Mato Grosso.

E não serão as grandes operadoras que farão esse trabalho, afirmou Salmaso. “Não enxergamos as grandes operadoras chegando nesses nichos. A cobertura não chega nem a 10% dessas áreas agricultáveis. Por serem grandes, mais alinhadas ao atacado, essas empresas acabam tendo iniciativas mais voltadas aos maiores produtores. E o segmento fica desassistido.”

 

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