TVA cresce mais que o mercado e investe em pacotes mais flexíveis


{mosimage}Com um crescimento em 2008 de quase 30%, bem acima do mercado, que deve crescer por volta de 20%, a TVA fechou o ano com 670 mil assinantes de vídeo em sua base e se prepara para oferecer, em 2009, novos serviços de vídeo – via cabo, via MMDS, via DTH e via fibra. “Também estamos trabalhando para que o cliente possa ter mais flexibilidade de pacotes de vídeo, sempre empacotados com banda larga e voz”, antecipa Leila Loria, diretora-geral da TVA, em entrevista ao Tele.Síntese.

Com um crescimento em 2008 de quase 30%, bem acima do mercado, que deve crescer por volta de 20%, a TVA fechou o ano com 670 mil assinantes de vídeo em sua base e se prepara para oferecer, em 2009, novos serviços de vídeo – via cabo, via MMDS, via DTH e via fibra. “Também estamos trabalhando para que o cliente possa ter mais flexibilidade de pacotes de vídeo, sempre empacotados com banda larga e voz”, antecipa Leila Loria, diretora geral da TVA, em entrevista ao Tele.Síntese. A operadora investiu R$ 30 milhões nestes últimos meses na rede de cabo, para  oferecer 16 Mbps nessa rede, e conta para a expansão de sua operação em 2009 com novas licenças de MMDS de cabo, que espera sejam licitadas pela Anatel no início do ano.

Tele.Síntese – Como estão os planos de expansão da TVA, via cabo, em 2009? E como será a sinergia com a Telefônica, que caminha para a oferta de serviços focadas no lar digital?
Leila Loria –
Estamos tratando, dentro do grupo Telefônica, como um negócio de vídeo. Temos o vídeo via cabo, via MMDS, via DTH e agora via fibra. Temos, então, quatro distribuições de conteúdo áudiovisual. Do ponto de vista do serviço para o consumidor, é o serviço de vídeo que nós estamos oferecendo nas quatro plataformas, na parceria com a Telefônica. O serviço de vídeo é  empacotado junto com o serviço de banda larga e com o serviço de voz e, dependendo da infra-estrutura que a gente tenha disponível naquela região, oferecemos um ou outro serviço. Por exemplo, nas regiões de fibra, na capital, onde a TVA tem licença de cabo, a gente vai oferecer o serviço completo, que são todos os canais de TV por assinatura que a gente tem hoje, mais o vídeo on demand (500 títulos de filmes e documentários, entre outros, ainda não exibidos por outro canal de distribuição), mais os serviços interativos, uma parceria que temos com o Terra.

Então, os planos de expansão para o ano que vem englobam as quatro plataformas. Olhando como vídeo, por exemplo, fora da capital, a gente usa só o DTH hoje, que é a estrutura que cobre todo o estado. Na capital, onde tem fibra, a gente vai usar a rede de fibra, onde tem cabo a gente vai usar a rede de cabo e, onde tem MMDS, vai usar MMDS. A infra-estrutura é a que for mais adequada para aquela região. Mas, os nossos planos de expansão incluem não só a capital como o interior. Nós entramos com pedido de licença de cabo para várias cidades do interior na Anatel há um ano. Agora parece que vai ter o planejamento de outorga de MMDS de cabo e, no início do ano, aparentemente, vão ser feitas essas licitações. Temos planos de expandir com essas novas licenças que a Anatel vai licitar. Assim, nosso crescimento em 2009 virá muito desses novos serviços e das novas licenças que serão licitadas. Também estamos trabalhando para que o cliente possa ter mais flexibilidade de pacotes de vídeo, sempre empacotados com banda larga e voz. Resumindo: queremos crescer no vídeo de uma forma integrada com outros produtos. Essa é uma demanda do mercado, que deixou de ser vídeo, de banda larga, para ser pacote de entretenimento, comunicação e informação.

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Tele.Síntese – Qual o papel do vídeo nos serviços convergentes da Telefônica? Ele será o carro-chefe?
Leila –
Na Futurecom – a gente brinca que o estande nem parecia da Telefônica – tínhamos a TV 3D, que é um lançamento que permite ao usuário assistir conteúdo e programação em 3D sem precisar do óculos. Foi um sucesso. Apresentamos também, na Futurecom, esse produto de vídeo em cima de fibra, em que tinha o VOD (video on demand), a locadora virtual e vários serviços interativos. Não é que a televisão vai virar internet, a gente não acredita nisso. Neste momento, a gente acha que o usuário, que sentou no sofá para assistir TV,  quer ter a melhor experiência de vídeo possível, e se vai sair dali em meia hora, ele clica num botão e vê como está o trânsito, qual o clima, as últimas notícias, então, é um complemento do serviço de vídeo. Esse é o nosso conceito desse novo serviço de vídeo que estamos lançando, é prioridade total para qualidade de vídeo, variedade de programação, muito HD (high definition). Achamos que 2009 vai ser o ano do HD.

Tele.Síntese – Qual é a política de vocês em relação aos canais abertos nas operações de MMDS e DTH? A idéia é sempre carregá-los na programação?
Leila –
Na TV a cabo temos o must carry, ou seja, as operadoras são obrigadas a carregar os canais abertos, os difusores oferecem gratuitamente. No caso do MMDS e do DTH, não existe uma legislação sobre o tema, então é uma negociação entre as partes. Mas, se considerarmos que parte da audiência desses canais vem dos assinantes de TV a cabo, que recebem os canais através de seu próprio decoder, também não há muito interesse por parte dos radiodifusores de ficar fora da grade das operadoras. A única receita da radiodifusão é publicidade e publicidade tem uma relação direta com audiência. Assim, mesmo não havendo obrigatoriedade de cessão dos canais abertos, temos conseguido também oferecer esses canais no MMDS e no DTH.

Tele.síntese – Em fevereiro, haverá a renovação dos contratos de autorização para a TVA no MMDS. A Anatel deverá tirar 80 MHz da atual faixa de freqüência do MMDS para a telefonia móvel. Qual vai ser a estratégia da empresa ao perder essa grande parcela de banda? Ou vocês não consideram essa hipótese?
Leila –
Do ponto de vista jurídico, todos os advogados dizem que o nosso espectro está renovado, porque, primeiro, houve uma consulta pública que deu origem a resolução 429, que garantia aos atuais operadores o espectro integral na renovação. Para as novas licenças seriam só 110 MHz, para os atuais operadores se garantiria 190 MHz. Foi uma enorme vitória – teve contribuições durante 13 meses e a gente provou, naquele momento, que essa era uma  plataforma multisserviços, portanto, precisava do espectro inteiro. É diferente, por exemplo, de um  celular que se usa para determinado serviço. Sabíamos que haveria demanda crescente por vídeo de alta definição, que consome muito espectro. Três anos antes de nossa licença vencer, em janeiro de 2006, nós, da TVA, pedimos a renovação. Pela legislação, em 24 meses a Anatel tem que se manifestar e se ela não se manifestar está automaticamente renovada a licença. Passaram-se os 24 meses e não houve nenhuma manifestação, a não ser uma correspondência (não houve nenhuma resolução da Anatel) para os operadores dizendo que havia a possibilidade realmente de uma retirada uma fatia do espectro a partir de 2012, caso ele tivesse uma outra destinação. Agora, em fevereiro vencem os 12 meses reservados para a implementação, e a Anatel, com um ano de atraso, ainda não decidiu o que vai fazer. Se queria reduzir o espectro, ela deveria ter comunicado a decisão em fevereiro de 2008 e não o fez.

Tele.Síntese – Mesmo estando o espectro renovado integralmente até 2012, como avalia a sobrevida do MMDS no Brasil (já que no mundo essa freqüência foi destinada para a quarta geração da telefonia celular e para o WiMax)?
Leila –
Temos um plano para o espectro, que a Neotec, a associação dos operadores, já apresentou e discutiu com a Anatel. Nossa proposta é que uma parte desse espectro continua sendo utilizado para vídeo, como sempre foi, uma parte desse espectro será usado para WiMax, a tecnologia que tem se provado a mais eficiente — ainda não é comercial, mas é a mais eficiente — e uma parte pequena pode vir a ser usado para voz, mas muito pequena. E isso, num primeiro momento sem mobilidade, num segundo momento com mobilidade. Então, o plano que a gente tem alinhado com a Anatel era esse. Houve algumas declarações no WiMax Forum, há duas semanas, que nos preocuparam. Elas davam conta de que a homologação dos equipamentos do WiMax não estava saindo, por conta dessa questão política de destinação do espectro e foi muito desagradável para o Brasil. Nós, da TVA, fomos os primeiros a fazer testes com WiMax (com a Samsung) e, agora, vários países da América Latina já estão desenvolvendo projetos, enquantro nós ainda estamos tentando homologar o produto. E a homologação para o WiMax independe dessa discussão, se vai ser usado para vídeo ou não. Que a banda larga é uma prioridade, ninguém tem dúvida. Eu acho que são duas discussões. A primeira se vai usar para vídeo, que é essa dúvida e que a gente entende que é possível utilizar para vídeo também, além de ser usada para para banda larga e para o WiMax. A segunda dúvida é quem vai ter o direito a esse espectro. E aí a nossa discussão – é claro que a gente está defendendo os nossos interesses. Quando não tinha a parceria da Telefônica, ouvi várias vezes a Anatel dizer que a TVA não tinha condição financeira para desenvolver o projeto de WiMax. Por isso fomos buscar parceiro estratégico (a operação MMDS foi vendida pela Abril para a Telefônica), fizemos todos os testes, e agora temos a barreira da homologação do equipamento. Então, eu acho que são duas discussões distintas, a primeira é: vale a pena usar esse espectro para vídeo; e a segunda, quem vai ser o player que vai usar esse espectro. Acho que estão misturando as discussões.

Tele.Sintese – Você poderia explicar melhor qual é a estratégia que têm para  o WiMax? É principalmente crescer na oferta de banda larga?
Leila –
A gente vê esse espectro como uma plataforma de distribuição multisserviços para concorrer com cabo, que hoje é a única plataforma multisserviços disponível. A fibra que é, realmente, uma nova geração dessa plataforma, exige investimentos enormes; então, sua expansão é necessariamente lenta. O dia em que tivermos o país fibrado, talvez, naquele momento, possamos migrar os assinantes de outras plataformas para a fibra. Mas não vejo isso acontecendo num horizonte dos próximos cinco a dez anos. Como caminho, o WiMax é uma boa solução, pois permite uma alocação eficiente do espectro para a prestação de múltiplos serviços.

Tele.Síntese – Como foi o desempenho da empresa em 2008 e qual a expectativa para 2009?
Leila –
Como somos parceiros de uma companhia aberta, não posso dar muitos detalhes, mas posso dizer que temos hoje 670 mil assinantes de vídeo, como um todo, um crescimento de quase 30% em relação a 2007. Portanto, teve um crescimento grande este ano, em vídeo. No segundo trimestre de 2008, tivemos quase 21% de penetração na TV por assinatura no estado de São Paulo – não temos ainda os números do segundo semestre, mas vai aumentar. Com a entrada da Telefônica, a segunda tele a entrar no mercado, e na TVA, incentivando várias plataformas, esse mercado cresceu, ao todo nesse período, uns cinco pontos percentuais. Enquanto nós crescemos quase 30% este ano, o mercado deve crescer por volta de 20%. O fato é que estamos crescendo mais que o mercado, e isso para nós é um fato de comemoração.

Tele.Síntese – E para 2009, qual a expectativa? O câmbio pode ter algum impacto, afeta muito o preço da programação estrangeira?
Leila –
O câmbio nos afeta de duas formas. A primeira, no custo de programação, embora depois da última grande crise cambial no Brasil a exposição ao dólar na programação seja muito menor. Também a entrada de outros players, a Telefônica e agora a Embratel (DTH), tem um benefício de dar mais escala para o programador. A gente espera que o maior insumo nosso que é o custo programação se beneficie de um crescimento do mercado. E isso, de uma certa forma, tem que, ao longo do ano, equilibrar esse aumento do dólar. O segundo impacto do dólar no nosso setor é no custo do  decoder. Tivemos já uma produção nacional de decoder, em Manaus, inclusive financiada pelo BNDES. Com o dólar como estava não fazia mais sentido a produção local; agora, está sendo reativada. O que mais me preocupa na crise é o desemprego, que impacta todo mundo. Na primeira crise que a gente viveu, o serviço de TV por assinatura era considerado não essencial, mas na medida que as crises se sucederam, o serviço se tornou mais importante no domicílio; tem grupos que passaram a não viver sem. Essa é a primeira crise que a gente vai viver depois do mercado empacotado. O que o assinante vai cortar? Vai reduzir um serviço, tirar um canal, baixar a velocidade? E se tirar um, vai pagar mais pelo outro? Minha impressão é que nossos serviços se tornaram mais essenciais, a partir do empacotamento que dificulta sua redução. Assim, vejo que essa crise vai impactar menos a gente do que outras indústrias, e menos a gente hoje do que já impactou lá atrás.

Tele.Síntese – Com esse novo cenário como ficam os planos para 2009, particularmente, para a grade de programação e para reter os clientes?
Leila –
Temos vários planos, como avançar mais na flexibilidade – eu costumo dizer que nada é caro ou barato, depende do valor que ele tem para você. Então, se eu puder desempacotar mais e o assinante comprar aquilo que, efetivamente, quer e usa, tenho mais chance de não ser preterida no momento da crise. Então, temos planos de flexibilizar mais, de lançar novos pacotes em que o assinante tenha mais opções. Lançamos um com a Vivo, na semana passada, que tem cem combinações, tem até um hotsite. A gente vai procurar dar mais flexibilidade, oferecer outras formas de pagamento.

Tele.Síntese – A parceria com a Vivo pode ser ampliada para outras cidades?
Leila –
Com certeza. Estamos iniciando a venda do pacote nessas três cidades (Rio, Curitiba e Porto Alegre), que é já é bastante para começar, mas pode ser ampliada para São Paulo. Ainda não definimos quando começa a
segunda fase, mas está prevista para até final de 2009 e inclui outras cidades. Tudo vai depender dos resultados e da crise.

Tele.Síntese  – Em relação aos investimentos, qual o volume destinado para a rede de cabo este ano?
Leila –
Investimentos R$ 30 milhões nestes últimos meses, para oferecer 16 Mbps nessa rede. Com isso, toda a rede de cabo da TVA, que é bidirecional, oferece 16 megas. Agora, a rede está preparada. Os investimentos para 2009 serão concentrados na oferta desses novos serviços, de vídeo sobre fibra.

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