“Tudo tem um preço”, diz presidente da Telecom Italia sobre TIM


O presidente da Telecom Italia, no entanto, reafirmou que o grupo está investindo, principalmente para ampliar a rede 3G, e defendeu que os investidores estrangeiros passem a “levar em conta a volatilidade” da economia, que é natural em qualquer país.

Embora tenha evitado falar abertamente sobre eventuais negociações envolvendo a TIM Brasil, o presidente da Telecom Italia, Marco Patuano, disse hoje que uma suposta transação não poderá ser inferior às ofertas recentes em negócios do setor – a mais recente delas foi a compra da GVT pela Telefônica, por 7,45 bilhões de euros –, mas destacou que, no momento, o foco é no crescimento orgânico da TIM.

Em relação a uma eventual compra da Oi pela TIM, afirmou: “Ainda não estamos nesse processo, mas focados no crescimento orgânico da rede da TIM. Obviamente o mercado brasileiro é muito dinâmico e todas as opções precisam ser olhadas”, afirmou Patuano, que participou da Futurecom, em São Paulo.

Na visão do presidente da Telecom Italia, o mercado brasileiro oferece muitas possibilidades e a volatilidade da economia precisa ser levada em conta pelos investidores de longo prazo. “Como investidor estrangeiro não estamos muito preocupados com a situação de contingência da economia brasileira”, afirmou. Segundo ele, o grupo continuará aportando recursos no Brasil, principalmente na rede 3G, no backhaul e, futuramente, na 4G.

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“Acho muito importante ter claro o conceito estratégico. Não tem no mundo muitos mercados com a perspectiva que tem o mercado brasileiro”, afirmou, lembrando que na Europa faz tempo que a economia não tem crescimento. “Um pouco de volatilidade tem que ser levada em conta. Se olharmos no longo prazo o mercado brasileiro tem muitas possibilidades interessantes. Quando se fica com essa visão, qualquer outra possibilidade tem que ser avaliada. O grupo tem a intenção de ficar no Brasil e, se quiserem convencer a TIM a ter outra estratégia, tudo tem um preço”, afirmou. Perguntando se o valor pago pela Telefônica na aquisição da GVT, seria uma referência, disse: “Nunca falamos de preço, porém, acho que termos uma referência sempre é bom, é o critério.”
Consolidação

Na análise de Patuano, o mercado brasileiro tem baixa penetração de dados e muito espaço para o crescimento da internet. “É um mercado no qual para jogar é preciso fazer investimento e a TIM vai fazer”, assegurou.Indagado sobre a declaração do presidente da Oi, segundo a qual, a consolidação do mercado é inevitável, não só para a Oi, Patuano discordou. Para ele, essa “não é, necessariamente, a única possibilidade”. Na sua opinião, o grande desafio é fazer investimentos para competir. “Se as operadoras tiverem oportunidade de fazer investimentos, creio que não é necessário uma consolidação. Obviamente que se alguém não tem a possibilidade de fazer investimento, nesse caso a consolidação seria boa para o mercado”, concluiu.

 

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