TIM propõe uso da OpenRAN para o Brasil reverter o atraso na 5G


A demora do governo e da Anatel em marcar uma data para realizar o leilão de espectro 5G é observado com apreensão pelo mercado, sob o risco de deixar o país muito atrás na corrida tecnológica iniciada com o advento das novas redes. Para o CEO da TIM, no entanto, é possível tirar o atraso com uma decisão setorial: as operadoras devem adotar, em massa, tecnologias OpenRAN.

A OpenRAN consiste no uso de padrões abertos nas redes de acesso móveis. Funções e recursos rodam de forma virtualizada sobre servidores comuns, o que amplia a possibilidade de inovação e entrada de novos competidores no concentrado mercado dos fornecedores de redes.

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Para Labriola, a miríade de novas empresas que estão surgindo mundo afora para explorar a OpenRAN poderá se refletir no Brasil caso haja uma decisão setorial de fomento à tecnologia. A seu ver, o Brasil pode se tornar um celeiro de desenvolvimento dessa vertente tecnológica. Quando o leilão for realizado, o país, então, terão condições de dar um salto qualitativo e sair da posição de consumidor para criador de tecnologia 5G.

“O atraso na 5G pode virar uma oportunidade. Está aparecendo um novo padrão, OpenRAN, e podemos transformar o Brasil no primeiro país que vai usar OpenRAN”, afirmou. Ele participou na manhã de hoje, 29, do evento Painel Telebrasil.

Segundo ele, uma das vantagens é a competição que o modelo traz. “Com OpenRAN você pode escolher um fornecedor diferente para a 5G. Estão aparecendo muitos novos fornecedores. Vamos avaliar a possibilidade de abrir para OpenRAN pois vamos nos tornar o laboratório do mundo. Vamos atrair para o Brasil investimento e análise para esta tecnologia, fazer um salto e ficar à frente dos outros. É uma provocação, mas talvez com as provocações e tomando algum risco, transformamos atraso em sucesso”, completou.

Formato do leilão

Para Labriola, a adoção do OpenRAN é uma condição de sucesso do leilão 5G. Ele também cobrou, como fizeram antes representantes de outras operadoras ao longo dos diferentes dias do Painel Telebrasil, a realização por parte da Anatel, com aval do governo, de um certame sem viés arrecadatório. Ou seja, uma disputa que permita às operadoras destinar recursos para o investimento em rede, e não para o pagamento das outorgas.

“Não pode ser arrecadatório porque é muito difícil projetar hoje qual receita teremos com 5G, que terá um novo modelo de negócio”, disse. Esse modelo, avalia, será principalmente B2B2C, em que a operadora fornece tecnologia para que novas empresas prestem serviços ao consumidor final, sem deixar também de atender o consumidor final.

O executivo também defendeu que o edital preveja a mitigação das interferência da 5G e, 3,5GHz sobre serviços satelitais em Banda C, especialmente a TVRO. Esta saída, disse, é a mais célere para o país.

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