Tele.Síntese análise 321


Governo vai definir política para conteúdos digitais criativos Com o objetivo de articular as iniciativas já existentes, direcionar recursos e fortalecer a indústria nacional de conteúdos digitais criativos onde se incluem desde produções audiovisuais até jogos eletrônicos e aplicativos, o governo federal vai desenvolver uma política focada nesse segmento.O primeiro passo foi dado ontem, com …

Governo vai definir política para conteúdos digitais criativos

Com o objetivo de articular as iniciativas já existentes, direcionar recursos e fortalecer a indústria nacional de conteúdos digitais criativos onde se incluem desde produções audiovisuais até jogos eletrônicos e aplicativos, o governo federal vai desenvolver uma política focada nesse segmento.
O primeiro passo foi dado ontem, com uma reunião que envolveu representantes de diferentes ministérios e órgãos públicos, para definir um cronograma de atividades.
A ideia é lançar a política em meados do ano que vem, a tempo de incluir os programas a serem desenvolvidos no orçamento de 2013.
Com a elaboração de uma política específica para conteúdos digitais criativos, o tema, que no governo Lula chegou a ser tratado em um subgrupo dentro do Plano Nacional de Banda Larga, passa a alçar voo próprio.
A proposta não é só produzir conteúdo para potencializar o uso das redes de banda larga, mas transformar a indústria brasileira de conteúdo digital em uma atividade econômica de expressão no mercado interno e também externo. Por isso, a iniciativa está sendo conduzida pelos ministérios da Cultura, por meio da Secretaria de Audiovisual; do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), por meio da Secretaria de Inovação; e das Comunicações (Minicom).
A avaliação de técnicos do governo é de que há um enorme potencial a ser explorado, especialmente com o crescimento das redes pelas quais circulam os conteúdos criativos.
Hoje, a indústria brasileira de conteúdos digitais criativos, apesar da sua excelência em áreas como a teledramaturgia, tem participação marginal no mercado global.
De acordo com o documento para o debate da nova política, os segmentos de televisão, filmes, internet, jogos e música devem faturar US$ 1,27 trilhão em 2015. A participação brasileira representará menos de 0,5% desse total.
A expectativa é de uma mudança nesse quadro, com o fortalecimento da produção de conteúdos digitais criativos.
“Essa é uma iniciativa da maior importância para a área de inovação”, diz João Lanari, diretor da Secretaria de Inovação do MDIC. Segundo ele, a secretaria está atenta para que as empresas desenvolvedoras de softwares aplicativos para comunicação móvel e fixa e outros segmentos tenham um ambiente propício para continuar investindo em inovação e se articular com os produtores de conteúdo que rodam sobre esses softwares.
“O que queremos é articular essa cadeia de inovação e produção de conteúdos criativos”, explica.

Frentes de atuação
De acordo com o documento, uma das frentes de atuação da nova política é o estímulo à produção de conteúdos digitais criativos para diferentes meios e suportes, “com a implantação de clusters formados por produtores brasileiros, incubadoras, coletivos de produção colaborativa, fornecedores de insumos e rede científica e educacional capaz de suprir, de forma complementar e integrada, a demanda por serviços, mão de obra, pesquisa e inovação”.
Outras frentes envolvem capacitação, compras e encomendas públicas, pesquisa e desenvolvimento, distribuição e exportação e agenda regulatória para apoiar e estimular as cadeias produtivas.
Segundo James Gorgen, assessor da secretaria executiva do Minicom, a articulação proposta de todas as áreas do governo federal envolvidas com a questão dos conteúdos digitais se assemelha ao que foi feito na concepção do Sistema Brasileiro de Televisão Digital (SBTVD). “Com a TV digital, tivemos uma inovação importante que foi o desenvolvimento do Ginga, o middleware que permite a interatividade. Agora, precisamos colocar conteúdo para que a interatividade se dê”, emenda Lanari, relacionando o programa da TV digital com a política de conteúdos digitais.
Pela proposta, para o desenvolvimento do segmento de conteúdos digitais serão usados recursos orçamentários, fundos setoriais e constitucionais já existentes, além de medidas
de desoneração e financiamento por bancos públicos e privados ou por fundos de investimento de capital privado.

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Indústria quer mudar lei para ser mais competitiva

A decisão do governo, por meio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com
apoio do Ministério das Comunicações (Minicom), de rever a portaria 950 do MCTI – que
define que produto de tecnologia nacional é aquele integralmente concebido e desenvolvido no país – atende a uma reivindicação da indústria, e especialmente das multinacionais
instaladas no país.
“Existe um consenso, dentro do governo, de que é preciso flexibilizar esse entendimento”, diz Cezar Alvarez, secretário-executivo do Minicom, ministério que vai utilizar o conceito de produto de tecnologia nacional no Regime Diferenciado do PNBL, programa definido em medida provisória que será encaminhada ao Congresso Nacional no início dos trabalhos legislativos de 2012.
O governo está sensível ao argumento da indústria de que hoje um produto nunca é desenvolvido integralmente em um país, mas em diferentes centros de pesquisa e desenvolvimento que trabalham conjuntamente.
“A alteração do conceito é importante não só para a indústria brasileira de capital estrangeiro, mas também para a indústria brasileira de capital nacional que quiser fazer parcerias com centros de desenvolvimento no exterior”, observa Aluizio Byrro, vice-presidente da Abinee e chairman da Nokia Siemens.
Em sua visão, a alteração da portaria é fundamental para manter os projetos de P&D no país por parte das multinacionais do setor de telecomunicações e para atrair outras iniciativas. No entanto, Byrro, que coordena a iniciativa Abinee 2020, que se propõe a ampliar a participação da indústria eletroeletrônica brasileira no PIB de 4% para 7%, acha que a mudança sozinha não resolve o problema da falta de competitividade.
“Se queremos fortalecer o desenvolvimento de tecnologia e a inovação em telecomunicações e tecnologia da informação, é preciso adotar uma série de medidas para aumentar a competitividade, que foi se reduzindo ao longo do tempo”, argumenta ele, afirmando que um engenheiro brasileiro custa o dobro de um engenheiro do Leste europeu e mais do que um engenheiro norte-americano.
Como as mudanças, que passam pela redução da carga tributária sobre a folha de pagamento e sobre produtos, são medidas complexas e demoradas, Byrro defende alterações pontuais na Lei de Informática, com a ampliação da desoneração do PIS/Cofins de 80% para 100% e a redução do Imposto de Importação sobre componentes importados.
“Seria importante melhorar um pouco o cenário e trazer para o país centros de inovação”, afirma. De acordo com ele, a Abinee elabora propostas de aumento de competitividade para apresentar ao governo, com uma consultoria externa.
Em relação à alteração da portaria 950, os fabricantes de capital estrangeiro preferem aguardar o anúncio para se pronunciar. De acordo com técnicos do governo, o novo conceito do que poderá ser considerado produto com tecnologia nacional ainda vai ser desenhado.

2,5GHz: regras do leilão vão refletir cenário econômico.

O presidente da Anatel, João Rezende, considera fundamental o leilão da frequência de 2,5 GHz
para ampliar o espectro à sociedade e para permitir ao país mais uma opção tecnológica, a telefonia móvel de quarta geração ou LTE. No entanto, disse que não podemos esquecer a crise econômica mundial. “A quarta geração anda de lado na Europa”, comentou, deixando claro que não é hora de o governo impor pesadas contrapartidas de cobertura às empresas que participarem do leilão.
Rezende fez esses comentários em mesa redonda, gravada em vídeo, sobre a rede 3G e o aumento do tráfego de dados, transmissão que vai inaugurar o TV.Síntese, novo canal do site Tele.Síntese, que estreia na semana que vem, dia 14.
Além de Rezende, o debate teve participação de Pedro Ripper, diretor de inovação e novos negócios da Oi; Leonardo Capdeville, diretor-executivo de redes da Telefônica/Vivo; e Lucas Pinz, gerente de tecnologia da informação da Promon Logicalis.
Os representantes das operadoras ponderaram que o mais importante para o país não é a introdução da LTE, mas a melhoria das redes 3G nos locais de grande concentração e demanda e sua expansão geográfica. De acordo com os especialistas, não existe um caminho tecnológico único para preparar as redes 3G para o aumento contínuo do tráfego de dados e a explosão de vídeos. “As tecnologias se combinam, como a evolução para o HSPA + e o off load de dados para a rede WiFi”, disse Pinz.

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