Telefônica Vivo vê concentração do mercado como inevitável


Num cenário de queda da margem de Ebtida (de 32% para 28% entre 2010 e 2014), de queda de tarifas (nos últimos quatro anos o minuto da telefonia móvel caiu de 23 centavos para 14 centavos), de aumento de investimentos para suportar o aumento do tráfego (+ 25% de 2009 a 2013), o setor de telefonia móvel no Brasil precisa ganhar escala e escopo para fazer frente à demanda dos clientes. É com base nessa avaliação que  Aloysio Xavier, diretor de estratégia institucional e regulatória da Telefônica Vivo, defendeu a concentração de mercado na telefonia celular como caminho para aumentar a saúde financeira das empresas e os investimentos.

Para fundamentar sua posição, citou estudos realizados pela GSMA com a Frontier Analytics, que mostram que a maioria dos países emergentes têm entre três e duas operadoras celulares com mais de 5% de market share. E como essas operadoras têm receita média mensal por usuário menor do que as operadoras de países mais desenvolvidos, a concentração desses mercados nesses países seria mais natural. Mas mesmo nos países desenvolvidos há um movimento em direção à concentração, lembrou Xavier. Na Europa, Áustria, Alemanha, França, Espanha, Itália e Irlanda fizeram o movimento em direção a três operadoras. Na América Latina, Argentina e Chile passaram de quatro para três operadoras já a partir de 2005.

Ainda segundo estudos da GSMA/Frontier, Xavier mencionou que levantamento realizado em 74 países demonstrou que a melhoria da eficiência operacional não foi dada pela redução de custos, mas por investimentos em tecnologias. “Isso mostra a importância do aumento dos investimentos. Com a redução da receita média por usuário, presente nos países da amostra, nem sempre a dinheiro para investir”, disse ele, destacando que o futuro da indústria depende do ganho de escala e da redução da pulverização. Ou seja, da concentração do mercado.

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Regionalização

Embora também considere que as condições objetivas do mercado sinalizem para uma redução do número de operadoras celulares de âmbito nacional, Luiz Alexandre Garcia, presidente da Algar Telecom, destacou o papel cumprido pelas operadoras regionais, como a que dirige.

Segundo ele, pela proximidade com o cliente e pelo conhecimento da realidade local, as operadoras regionais têm importante papel a cumprir tanto na universalização de serviços como banda larga como na introdução de novos serviços de ponta em cidades menores. 94% dos municípios atendidos pela Algar Telecom têm menos de 100 mil habitantes e, em todos eles, segundo Garcia, a operadora oferece pacotes de serviços semelhantes aos comercializados em São Paulo.

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