Telefônica Vivo registra lucro líquido de R$ 5 bilhões em 2019


A Telefônica Vivo divulgou na manhã desta quarta-feira, 19, os resultados referentes a 2019, quando apurou lucro líquido de R$ 5 bilhões. O montante é 44% inferior ao registrado em 2018, mas vale destacar que naquele ano a companhia teve o balanço acrescido em R$ 3 bilhões devido à vitória judicial que lhe rendeu créditos fiscais relativos à cobrança indevida de PIS/Cofins sobre o ICMS, enquanto neste houve a venda de ativos de data center (foto).

O número de 2019 também tem o impacto da mudança do sistema de contabilidade para o padrão IFRS-16. Sem esses fatores considerados, o lucro líquido recorrente seria de R$ 5,3 bilhões, alta de 2,5% na comparação ano a ano.

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A companhia obteve receita operacional de R$ 44,26 bilhões em 2019, alta de 1,9% sobre 2018. No móvel, a receita cresceu 4,8%, para R$ 28,66 bilhões. Os números mostram que as vendas de aparelhos voltaram a fazer parte fundamental da estratégia da operadora, somando R$ 2,7 bilhões, expansão de 40,7%. No fixo, a receita líquida foi de R$ 15,6 bilhões, decréscimo de 3,2% em função da perda de usuários no STFC e na TV por assinatura.

O EBITDA (lucro antes de impostos, depreciação e amortização) chegou a R$ 18,13 bilhões, alta de 1,7%. A margem EBITDA manteve-se em 41%. O EBITDA recorrente, excluídos aqueles mesmos efeitos que impactam o lucro líquido, cresceu 15,3%, para R$ 17,94 bilhões.

Em 2019 a companhia também acelerou os investimentos. A Vivo aportou R$ 8,84 bilhões, alta de 7,9%, na expansão da rede móvel LTE e LTE-Advanced (4G e 4,5G), e no aumento da capilaridade da rede fixa de fibra óptica (FTTH).

Desempenho operacional móvel

A Vivo ampliou em 1,9% a quantidade de acessos móveis, passando a ter 74,58 milhões de assinantes. Destes, 43,17 milhões são usuários do celular pós-pago, que teve expansão de 6,9%. No M2M, a tele registrou crescimento de 23% da base, que agora tem 10 milhões de chips ativos. E no pré, continuou a desligar, encerrando o ano com 31,4 milhões de clientes, 4,1% a menos que em 2018.

Em termos de market share, a companhia experimentou os efeitos do aumento da competição pelo mercado pós-pago e portabilidades. No segmento, fechou o ano com fatia de 39,4%, embora líder, significa perda de 1,2 ponto percentual frente o número de 2018. No pré, em que o mercado como um todo está desligando inativos, o market share cresceu 1,6 p.p., para 26,8%.

A companhia teve receita média por usuário humano no pós-pago de R$ 52,3, alta de 0,8%. No M2M, a ARPU foi de R$ 3, crescimento de 12,3%. E no pré, o ARPU ficou em R$ 12,6, alta de 3,1%.  O churn (rotatividade de clientes) no pós-pago ficou estável, em 1,7% e no pré, em 5,2%.

Desempenho operacional fixo

No fixo, o total de acessos da companhia caiu 13,5% no ano, para 19 milhões. Houve perda 7,4% da base, que chegou a de 6,9 milhões de clientes na banda larga fixa em função do desligamento de usuários da tecnologia aDSL. Neste caso, o índice de desligamento alcançou 20,4%. A tele encerrou o ano ainda com 4,43 milhões de clientes no par de cobre. Já a base de FTTH, mais rentável e promissora, teve expansão de 30,8%, alcançando 2,47 milhões de contratos.

Na TV paga, houve queda de 15,8% nos acessos, que ficaram em 1,32 milhão. O IPTV, a modalidade de TV por assinatura entregue através da rede FTTH, cresceu 23,5%, para 715 mil usuários. Em outras tecnologias (DTH), restam 605 mil usuários (queda de 38,7%). A operadora já avisou, ainda em 2018, que estava encerrando as vendas de TV por satélite, desligando e migrando os clientes da tecnologia.

No STFC, a Vivo registrou queda de 16,8% na base, que ficou em 10,8 milhões de usuários.

A companhia tinha market share de 32% no STFC em 2019, de 8,4% em TV e de 21,6% em banda larga fixa. A ARPU na banda larga fixa aumentou 13,2%, para R$ 65,9. Na TV, cresceu 4,3%, para R$ 105. E no STFC caiu 8,3%, para R$ 35,6.

Endividamento

O maior efeito da mudança do padrão de contabilidade para o balanço da Vivo foi a revisão do endividamento. A companhia, que reportava dívida líquida de R$ 2,22 bilhões em 2018, passou a dever R$ 9,91 bilhões líquidos. O efeito bruto do ajusto chegou, portanto, a R$ 8,81 bilhões.

Isso acontece porque o padrão IFRS 16 exige que as empresas registrem como dívida passivos decorrentes de arrentamentos – o que inclui torres, terrenos, circuitos, escritórios, lojas e imóveis comerciais.

Sem o efeito do IFRS 16, a título de comparação, o endividamento líquido da companhia teria se reduzido de R$ 2,22 bilhões para R$ 1,1 bilhão no último ano.

Resultado no 4º trimestre

Tomando por base apenas o quarto trimestre do ano, comparado ao quarto trimestre de 2018, a Vivo apresentou aumento de 2,6% nas receitas. Estas somaram R$ 11,37 bilhões entre outubro e dezembro. O EBITDA cresceu 22,8%, para R$ 4,96 bilhões, enquanto o lucro líquido ficou em R$ 1,27 bilhão (queda de 14,3%). O Capex no período cresceu 11,5%, para R$ 2,35 bilhões.

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