Tecnologia na Educação: como aplicar o recurso?


(Crédito: Freepik)

Painel do EdTechs e as Escolas Públicas, evento realizado pelo Tele.Síntese, promoveu, nesta quinta-feira, 4, um debate sobre políticas públicas para viabilizar o ensino e o desenvolvimento de tecnologia na Educação. Durante o encontro, especialistas destacaram a importância de recursos públicos e privados aplicados nas áreas que a comunidade aponta como escassas.

“É preciso ouvir todas as camadas. São essas camadas que vão nos dizer o que falta para poder chegar lá. Há pouca escuta”, afirmou Susane Garrido, Diretora da Fractal Projects.

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Garrido ressaltou que é preciso atualizar os atores envolvidos no debate, que é antigo. “Há 30 anos discutimos como inserir o computador nas escolas, como diminuir a jornada dupla, tripla dos professores. Acho que ainda estamos longe”, disse.

Considerando o cenário, a diretora destacou que o poder público pode não ser suficiente. “Talvez o governo não tenha condições de fazer tudo sozinho. Se eu tiver que buscar fundos, investimentos para montar escolas diferenciadas, vou precisar de apoio [da elite]. É uma relação em que todo mundo ganha”, afirmou Garrido.

Susane Garrido, Diretora da Fractal Projects (Foto: Tele.Síntese)

No mesmo sentido, Cláudia Costin, Fundadora e Diretora do Centro de Políticas Educacionais da Fundação Getúlio Vargas, defendeu que é preciso “dar voz a todos” na gestão das políticas públicas, incluindo estudantes que vivem em favelas e regiões vulneráveis.

Costin também destacou que é preciso garantir material de apoio para os professores, assim como condições para que eles possam acompanhar melhor os estudantes. “Importante ter plataformas adaptativas. É muito difícil para um professor de escola pública, dando aula para 40 alunos, personalizar o ensino”, destacou.

 

Cláudia Costin, Fundadora e Diretora do Centro de Políticas Educacionais da Fundação Getúlio Vargas (Foto: Tele.Síntese)

Iniciativas em curso

Suzana Schwerz Funghetto, CEO da 2 em 1 Comunicação e Educação, compartilhou a experiência da organização, que é sem fins lucrativos, na construção de soluções. Entre as iniciativas está a parceria com o projeto Favela Radical, desenvolvido na comunidade do Turano Zona Norte do Rio de Janeiro. 

“A gente aprende com eles como se faz educação dentro da favela e aprendemos como construir o conhecimento para melhorar esse processo”, afirma a CEO. 

Funghetto conta que é educadora social e já atuou como professora de escola pública no Rio Grande do Sul. Com a experiência na sala de aula e na instituição, ressalta que o cenário é de “trabalho muito grande a enfrentar na formação dos professores”.

Suzana Schwerz Funghetto, CEO da 2 em 1 Comunicação e Educação (Foto: Tele.Síntese)

“A grande pergunta de 2022 é: o que eu faço com os recursos que eu tenho? Muitas vezes o Ministério da Educação tem o recurso e as prefeituras não sabem fazer os projetos. Muitas vezes não é questão de má vontade, é por não saber”, afirmou a educadora.

Mariana Rolim, diretora executiva da Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e de Tecnologias Digitais (Brasscom), destacou que a expectativa do macro setor de TICs é de investir R$ 510 bilhões em tecnologia até 2025. 

Além disso, há expectativas de geração de empregos no setor. “Só nos quatro primeiros meses deste ano houve, aproximadamente, 50 mil novos postos de trabalho”, afirma.

A Brasscom, que reúne 86 grupos empresariais, tem como um dos objetivos estratégicos a formação de talentos em TICs, uma forma também de fortalecer o capital humano do setor. 

Mariana Rolim, diretora executiva da Brasscom (Foto: Tele.Síntese)

Proteção de dados

Leonardo Chain, especialista em educação e tecnologia do escritório Rennó Penteado Advogados, falou sobre a necessidade de conscientizar a comunidade  sobre a segurança cibernética em um cenário de planejamento da expansão da conectividade nas escolas.

“Crianças e adolescentes são mais vulneráveis. A privacidade e a proteção de dados, são cada vez mais temas importantes”, disse Chain.

Leonardo Chain, especialista em educação e tecnologia do escritório Rennó Penteado Advogados (Foto: Tele.Síntese).

Ainda de acordo com o especialista, um ambiente seguro depende do envolvimento de todos os atores envolvidos não só no ambiente escolar, mas também no setor de tecnologia em geral.

“O importante é que os gestores públicos, pais e empresas estejam capacitados para exigir e entender como é importante que os recursos tecnológicos utilizem dados de forma correta”, afirmou o advogado.

EdTechs e as Escolas Públicas

O Edtechs e as Escolas Públicas é um evento virtual promovido pelo Tele.Síntese, que reúne especialistas e representantes da comunidade educacional para compartilhar e debater os desafios de conectividade.

As apresentações ocorrem vão até sexta-feira, 5, e a inscrição é gratuita. Confira a programação neste link.

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