Subsecretário de Estado dos EUA cobra posição do Brasil contra a China


Em visita ao Brasil, o subsecretário de Estado dos Estados Unidos, Keith Krach (na foto, de grava amarela), reuniu-se com o ministro das relações exteriores, Ernesto Araújo, e defendeu abertamente que a política externa brasileira afaste-se da China.

Em discurso realizado no lançamento do intercâmbio Japão-EUA-Brasil (JUSBE), Krach disse que a crise causada pela Covid-19 deve ser aproveitada pelos países para realizar uma guinada. “Uma nova trajetória deve incluir a diversificação de nossas cadeias de abastecimento longe da China”, afirmou. O discurso está disponível no site da embaixada norte americana, e pode ser visto aqui.

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Além de defender o afastamento do maior parceiro comercial do Brasil, Krach ainda cobrou adesão brasileira ao banimento da Huawei e da ZTE do mercado de telecom. “Outra área de preocupação crítica é a 5G e a segurança tecnológica — que está sendo atacada hoje pela República Popular da China e pelo Partido Comunista Chinês”, afirmou.

O governo Trump vem atacando a tecnologia chinesa desde 2019, sem, contudo, apresentar publicamente provas de que há ameaça à segurança ou práticas de espionagem. Ainda assim, os EUA vem propondo uma iniciativa orquestrada globalmente de eliminação de tecnologia chinesa das redes de telecomunicações. Essa iniciativa foi batizada de Clean Network (Rede Limpa).

“Os Estados Unidos formaram a Rede Limpa como uma solução global para esta crise — e é importante que todas as nossas três nações [Japão, EUA e Brasil] sejam líderes da Rede Limpa em nossas respectivas regiões. A Rede Limpa já inclui quase 50 países, representando aproximadamente dois terços do PIB mundial, juntamente com mais de 170 empresas de telecomunicações e muitas das mais poderosas empresas de alta tecnologia do mundo”, afirmou.

Vale lembrar que há pouco tempo representante dos EUA disse que a Telefônica havia aderido à Rede Limpa. O que foi depois desmentido. No mundo, Áustrália, Japão, Reino Unido são países que vedaram a participação da Huawei nas redes 5G.

Nem sim, nem não

As redes brasileiras de telecomunicações são dependentes da Huawei. Cerca de 40% delas, ou mais, são constituídas com equipamentos da empresa. Para a chegada da 5G, seria necessária a substituição de equipamentos 4G, o que seria inviável para as teles locais. Estas, inclusive, foram convidadas a se encontrar com Krach e debater o assunto, mas recusaram o convite na semana passada.

Na assinatura do JUSBE, foi emitida uma declaração conjunta, subscrita pelo Brasil, na qual não há o compromisso de adesão à iniciativa Rede Limpa. Mas faz-se menção à 5G.

Diz o documento: “Os três países afirmaram seu compromisso em assegurar um ecossistema de redes de comunicações que seja seguro, confiável e vibrante, bem como em desenvolver uma abordagem comum quanto à utilização de redes 5G transparentes, seguras e baseadas na livre e justa concorrência e no primado do direito, em linha com suas legislações nacionais, prioridades na formulação de políticas e obrigações internacionais”.

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