Softex vê perdas de R$ 115 bi até 2020 por falta de profissionais de TI


Caso não haja investimentos para capacitação de mão de obra voltada para TICs, o setor de software e serviços pode perder até R$ 115,4 bilhões de receita líquida até 2020. O alerta faz parte do estudo apresentado nesta terça-feira (10) pela Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro (Softex), que prevê uma escassez de 280 mil profissionais do setor nos próximos 12 anos.

Segundo o estudo, o setor que apresenta receita líquida de R$ 71,6 bilhões este ano, com 73 mil empresas e 600 mil empregos gerados, tem crescido em média 8,2% ao ano, não econtrará profissionais disponóveis suficientes, se manter as mesmas taxas. “O total de pessoas ocupadas nas empresas de software e serviço cresce em média 10,1%, especialmente entre as empresas com 19 pessoas ou menos empregadas”, disse Virgínia Duarte, gerente do Observatório Softex, responsável pelo estudo.

A perda estimada pela escassez de mão de obra é igual a receita prevista pelas empresas de software e serviços (R$ 71,6 bilhões) mais os valores gastos por outros setores com TI (R$ 43,7 bilhões) para 2012. “A falta de investimentos em capacitação pode sair muito cara para o setor”, afirma Virgínia.
A receita obtida pelo setor de software e serviços brasileiros corresponde a 1,8% do PIB do país e a 4,4% do mercado mundial de TICs, que é dominado por telecomunicações. O setor é composto por 96,3% de empresas com 19 ou menos funcionários.

PUBLICIDADE

O crescimento do setor se reflete no aumento das exportações, que apresenta taxas de 32,1% ao ano, passando de R$ 1 bilhão em 2004 para R$ 3,1 bilhões em 2008. De acordo com a avaliação da gerente do Observatório Softex, esses valores não são maiores porque há mercado interno para TI e, no período, houve aumento de competição.

Inovação

Os avanços no setor não se refletem na taxa de inovação. A pesquisa apresentou uma queda de 9,4 pontos percentuais entre os números obtidos entre 2003 a 2005 e 2006 a 2008. “Essa queda ocorre em conjuntos de empresas de diferentes portes, sendo elevada, sobretudo, naquele constituído por grandes companhias”, disse Virgínia. Mas destaca qie é nessa mesma faixa de porte que se verificam as maiores taxas de inovação em produto e processo.

O estudo da Softex foi apresentado hoje, no auditório do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com a presença do ministro Marco Antonio Raupp e do secretário de Política de Informática, Virgílio Almeida. Ambos destacaram a importância do trabalho para formulação de políticas públicas.

Anterior Consumo de crédito no orelhão cai quase 500% em três anos
Próximos Delta Cable lança portal de serviços