Sofisticação das ferramentas de agro exige capacitação e foco para conquistar o produtor


O volume de dados que já está sendo extraído das ferramentas digitais no campo, e o crescimento exponencial dessas informações que ainda está por vir, vai favorecer tomadas de decisões mais rápidas, ganho de produtividade e economia de custos. Mas ao mesmo tempo, tanta sofisticação de sistemas analíticos, inteligências artificial e outros começa a exigir cada vez mais a capacitação dos profissionais do campo e uma forma mais simples e focada para mudar a cultura do produtor rural.

Esses foram alguns dos pontos levantados pelos executivos que participaram hoje do Painel A captura dos Dados e a Inteligência na Análise Revolucionam o Setor, no Agrotic 2020. “Acho que somos muito globais, com uma revolução gigante, mas na prática nada é muito palpável para o produtor, aí está o entrave”, comentou Marcos Nascimbem Ferraz, presidente da AsBrAP (Associação Brasileira de Agricultura de Precisão).

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“Muitas vezes o desafio é mais cultural do que tecnológico”, observou Pedro Noce, gerente de Inovação da Raizen e da Pulse, hub tecnológico da empresa. Marcos Scalabrini, CDO expert em Agro, Digital e Inovação, lembrou que quando esteve à frente da área de inteligência da multinacional francesa Tereos colocou 300 tablets no campo para equipes de medição. “Eu achei que esse era o desafio, muitos são pessoas simples, sem acesso a smartphones. Mas para minha surpresa, a reação veio dos supervisores que queriam relatórios via email”, disse.

Para Anselmo Arce, sócio fundador e diretor de Relações Institucionais da Solinftec, é preciso que o produtor saiba onde quer chegar e a tecnologia é que vai ajudá-lo nisso. “Mais de 70% das usinas têm centro operacional agrícola. À medida que chegam muito mais dados, a operação não consegue enxergar”, ressaltou. Ao fornecedor cabe também entender melhor o que o cliente quer.

Para os especialistas, a melhor forma de levar a cultura digital ao produtor é começar com projetos pequenos que lhe permitam sentir o valor do processo. “Nós fizemos um erro na Tereos, começamos com um projeto grande, revolucionário. Voltamos atrás e focamos em algumas áreas para dar início à digitalização”, disse Scalabrini.

Para Fabricio Lira Figueiredo, gerente de Desenvolvimento de Negócios em Agronegócios do CPQD, é preciso entender o que agrega valor para o consumidor. “Mas olhando para 30, 40 anos, muita coisa precisará acontecer e a revolução digital não é luxo, ela precisará chegar em todas as cadeias”, afirmou.

A sofisticação também gera necessidade de profissionais mais capacitados. “70% das escolas e universidades de agricultura não têm matéria de agricultura de precisão”, enfatizou Nascimbem. Para ele a questão da capacitação é até mais importante que o problema da conectividade, já que exige uma mudança cultural, acadêmica e tempo para preparar os profissionais.

 

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