Sobe e desce na bolsa: ISPs desafiam operadoras com potencial de valorização acima de 300%


Banco estima alto potencial de valorização dos ISPs Brisanet, Desktop e Unifique. Desde a estreia na B3, todos perderam valor. Oi também tem alto potencial, enquanto Vivo e TIM podem crescer, mas não multiplicar preço das ações, como aconteceria com as rivais no melhor cenário.

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Crédito: Freepik

Analistas do BTG Pactual soltaram nesta segunda-feira, 27, um relatório em que estimam o potencial de valorização na bolsa de ações de ISPs e operadoras. O banco recomenda a compra de papeis de todas as teles e provedores brasileiros. No caso dos ISPs Brisanet, Desktop e Unifique, a valorização possível é de 300% ou mais – muito acima do calculado para Vivo e TIM, e em linha com a Oi.

Unifique: 340%

Conforme os dados, a Unifique tem o papel com maior potencial de valorização do setor no Brasil. O upside calculado pelo banco é de 340%. Significa que acionistas do ISPs podem ver o preço do papel saltar dos atuais R$ 3,18 para R$ 14.

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O banco não diz, porém, até quando acredita que o preço chegaria a seu valor justo, uma vez que isso depende de muitas variáveis de mercado. No anto, a Unifique perdeu 42% de seu valor. Apenas no último mês, o tombo foi de 34% – apesar de a empresa ser a menos endividada entre ISPs brasileiros, com índice de dívida líquida sobre EBITDA de 0,5x.

Oi: 334%

A Oi, que tem o maior índice de endividamento em relação ao EBITDA, de 5,8x, do setor, também merece ser comprada, diz o BTG. Isso porque o papel tem upside calculado de 334%. Atualmente, a Oi é uma penny stock, vendida a 53 centavos de real (OIBR3). Pode chegar, portanto, a R$ 2,3.

Apesar de recomendar a comprar por causa do potencial de ganhos, os analistas do BTG observaram que as notícias recentes de conclusão da venda do controle da V.tal e revisão do que é devido à Anatel foram menos favoráveis que o esperado e devem, ao menos no curto prazo, penalizar o papel. Papel de forte oscilação, caiu 24% no ano.

Desktop: 316%

Outro ISP, a Desktop, tem upside de 316% previsto pelo BTG Pactual. Significa dizer que as ações da empresa podem sair dos atuais R$ 7,69 para R$ 32. No ano, porém houve apenas desvalorização dos papeis, com 53% de queda. Dos ISPs, é a única que já começa a pagar dividendos. A expectativa é de que a distribuição neste ano seja equivalente a 2,6% do valor de mercado – menos que Vivo (7,8%) e TIM (5,1%).

No 1º trimestre do ano, os resultados da empresa foram elogiados pelos analistas, após crescimento acima das expectativas das receitas e do EBITDA. Por isso, é considerada “top pick”, ou seja, a favorita dos analistas no setor.

Brisanet: 300%

Quem comprou ações da operadora nordestina Brisanet também está bem posicionado, ao menos quanto ao potencial de valorização das ações. A estimativa do BTG é de upside de 300%. As ações que hoje custam por volta de R$ 2 podem saltar, dizem, para 8%.

Como os demais ISPs, a companhia perdeu muito valor no ano, com queda acumulada de 57%. Entre os provedores de capital aberto, é a que tem prevista a maior relação dívida/EBITDA, que chega a 3,6x. No setor, fica abaixo da Oi, mas acima de todas as demais empresas.

Os analistas observam, porém, que o ritmo de expansão da empresa está mais lento do que o esperado, em um momento de aumento dos custos, e a ativação de sua rede 5G pode restringir os investimentos em fibra, principal mercado do grupo.

TIM: 59%

Depois da Oi, a TIM é a grande operadora com maior potencial de valorização, no entender dos analistas do BTG Pactual. A companhia tem upside de 59%. As ações hoje em R$ 12,57 poderiam, portanto, valer R$ 20, caso todas as hipóteses positivas de mercado fossem confirmadas.

No ano, a TIM valorizou-se 7%. TIM e Vivo são os únicos papéis do setor que ganharam valor em 2022 no Brasil. Pesou a favor a recente aquisição da maior fatia da unidade móvel da Oi, realizada sem necessidade de emissão de dívida. O índice de endividamento ao fim de 2022 está em 0,4x, e é o mais baixo dentre operadoras e ISPs.

Vivo: 37%

A Vivo (Telefônica Brasil) tem um upside de 37% calculado pelo BTG Pactual. O preço do papel (VIVT3) atualmente é de cerca de R$ 46,55, e poderia chegar a R$ 64. Pesam a favor da recomendação de compra não o potencial de valorização, mas o baixo endividamento (0,5x), algo importante neste momento de aportes para o lançamento de redes 5G.

Também é a empresa com maior distribuição de dividendos entre os acionistas. Para este ano, deve pagar o equivalente a 7,8% do preço de mercado – acima dos 5,1% estimados para TIM e dos 2,6% da Unifique. Para os analistas, a Vivo tem um modelo de negócio “resiliente” (a empresa tem a maior base celular pós-paga do país) e forte geração de caixa.

América Móvil: -19%

A América Móvil é a única operadora dessa lista cujas ações que não são comercializadas na B3 brasileira. O grupo mexicano é dono da Claro Brasil, que não tem capital aberto por aqui, apesar de prestar contas trimestralmente à CVM por determinação das regras de atuação no setor.

Para o grupo AMX como um todo, que tem operadoras em diversos países da América Latina e da Europa, o cenário é o menos favorável. O BTG calcula que os papeis, que caíram 2% neste ano, podem se desvalorizar até 19% no futuro próximo. Os investidores não parecem convencidos de que o grupo poderá expandir seu EBITDA em até 6,5% até 2024, como projetado pela companhia em seu plano industrial para o período.

A empresa, lembram, tem forte exposição no mercado de TV por assinatura, que vem perdendo assinantes para aplicativos de streaming ou em função das dificuldades econômicas relacionadas à Covid-19.

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