42% da classe “DE” baixam aplicativos públicos no celular


A pesquisa TIC Domicílios 2019, lançada hoje, 26, pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil, apontou que os usuários das classes de menor poder aquisitivo apresentam mais dificuldades para acessar os serviços públicos digitais, como os de saúde, em relação aos mais ricos, entre as pessoas com 60 anos ou mais de idade. Mais respondentes da classe A (80%) também afirmaram ter baixado aplicativos no celular do que respondentes da classe DE (42%), aponta o bloco da pesquisa sobre Governo Eletrônico.

Ao comentar esse tema, o gerente do Cetic.br, Alexandre Barbosa, afirmou que essas dificuldades podem ser enfrentadas se houver uma nova estratégia na apresentação desses produtos. “As plataformas de Governo Eletrônico para a oferta de serviços públicos pela internet deveriam não ser apenas informativos, e sim interativos, o que nem sempre acontece. É um desafio que temos pela frente”, avaliou.

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Em sua 15ª edição, a TIC Domicílios realizou entrevistas em 23.490 domicílios em todo o território nacional entre outubro de 2019 e março de 2020, com o objetivo de medir o uso e apropriação das tecnologias da informação e da comunicação nos domicílios, o acesso individual a computadores e à internet, e atividades desenvolvidas na rede, entre outros indicadores.

Serviços de saúde

Segundo a pesquisa, há uma baixa procura dos usuários nessa faixa etária por serviços de saúde, a exemplo de consultas e remédios. Apenas 23% buscaram ou realizaram algum serviço público de saúde.

Foram coletadas informações de usuários de internet com 16 anos ou mais de idade que usaram serviços eletrônicos oferecidos por órgãos governamentais. Deles, 68% procuraram esses serviços nos 12 meses anteriores à pesquisa, sendo os mais citados: direitos do trabalhador e previdência (36%), impostos e taxas (28%) e documentos pessoais (28%).

O perfil de quem utilizou serviços governamentais online no período da pesquisa apresenta variação: a proporção é de 46% entre pessoas com 60 anos ou mais e, no recorte por classe socioeconômica, chega a 88% na classe A e 48% nas classes DE. Mais respondentes da classe A (80%) também afirmaram ter baixado aplicativos no celular do que respondentes da classe DE (42%).

Banda larga

Esses dados refletem que atividades culturais, escolares, de trabalho e de serviços públicos na internet ocorrem em menor proporção entre quem usa a internet apenas pelo celular e entre aqueles que não possuem banda larga fixa no domicílio, afirmou Barbosa.

“Apesar de os dados terem sido coletados num período prévio à disseminação da pandemia, eles revelam como limitações de acesso podem afetar os estratos mais vulneráveis da população”, comentou. “Isso mostra que a banda larga fixa é fundamental, porque o celular móvel, além de ter limitações de capacidade de banda, muitas vezes, sobretudo em classes menos favorecidas, depende de uma conexão WiFi gratuita, e isso é um fator limitante”.

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