Smart Technologies terá fábrica de SSDs em Manaus


A fabricante de componentes para celulares e computadores Smart Modular Technologies terá uma fábrica no Amazonas. A empresa recebeu aval da Superintendência da Zona Franca de Manaus na última semana para construir uma unidade e produzir ali módulos de memória RAM, unidades de armazenamento de dados (SSDs) e placas de circuito.

O aval significa que a empresa terá direito a todos os benefícios fiscais em produzir no local, que incluem redução da alíquota do imposto de importação relativo a matérias-primas, materiais secundários (inclusive embalagens), componentes e insumos utilizados na fabricação dos produtos.

A expectativa da empresa é grande com a unidade, principalmente quanto à demanda por SSDs. A companhia prevê importar no primeiro ano US$ 3 milhões em insumos para SSDs, US$ 10,22 milhões no segundo ano, e US$ 18,71 milhões no terceiro.

Já em módulos de memória RAM, a projeção é de importação de US$ 4,9 milhões no ano 1, e de US$ 9,3 milhões no ano 3. O gasto com importação de placas de circuito será menor, embora o crescimento seja também grande: de US$ 349,8 mil no começo, irá para US$ 3,35 milhões no terceiro ano.

PPB

A produção deverá seguir as regras de processo produtivo básico (PPB) para que sejam mantidos os benefícios fiscais da Zona Franca de Manaus. A empresa também se compromete a realizar investimentos em pesquisa e desenvolvimento no país.

A Smart Modular Technologies tem origem norte-americana, 1,75 mil funcionários no mundo e registrou faturamento global de US$ 1,12 bilhão em 2020. Já tem fábrica no estado de São Paulo, localizada em Atibaia. Ali, faz a montagem de módulos de memória, o encapsulamento de circuitos integrados de RAM, módulos SSDs e módulos de IoT. A produção atende à demanda de smartphones, notebooks e smartvs.

Chegou a ter linha de baterias, mas esta foi interrompida diante da dificuldade em adaptar a produção às mudanças frequentes dos fabricantes quanto aos projetos de smartphones.

Em 2018, o grupo anunciou planos de investir R$ 700 milhões em expansão no Brasil até o final de 2021. Já antecipava aporte para produção de SSDs. A construção da nova fábrica demandará aporte de até R$ 30 milhões. A empresa também se comprometeu a investir em P&D na Zona Franca mais R$ 20 milhões a R$ 25 milhões.

Mercado de componentes aquecido

Conforme explicou ao Tele.Síntese o presidente da empresa, Rogério Nunes, a construção prepara a empresa para atender ao crescimento da demanda por SSDs e memórias RAM.

“Atualmente o Brasil tem um attach rate, que é o índice de notebooks com SSDs, de apenas 15%, enquanto no mundo esse índice é de 70%. Neste ano já vamos passar para 40%, e em 2022, para 60%”Rogério Nunes, presidente Smart Technologies

Segundo levantamentos da empresa, serão vendidos 7,4 milhões de PCs neste ano no país, o que significa que haverá demanda por pelo menos 2,9 milhões de SSDs, caso o attach rate de 40% de fato seja alcançado. “Pretendemos abocanhar uma boa parte desse mercado”, completa.

Ele também prevê crescimento das vendas em memória RAM, em função não apenas do consumo de PCs, mas por conta do aumento da digitalização de empresas e governo, que estão recorrendo cada vez mais à nuvem.

“O mercado de servidores e data centers cresceu muito. Antes a demanda era por máquinas com 4 GB de memória RAM. Agora se exige equipamentos com 8 GB de RAM. Quer dizer, além da demanda pelo crescimento, também dobraram a capacidade”, resume o executivo.

Pandemia, ajustes e reajustes

A pandemia de covid-19 teve reflexo nos planos de expansão para o Amazonas. A ideia era começar a estruturar a nova planta em janeiro. Mas o trabalho teve início somente em 8 de março. Com isso, a fábrica começa a operar no terceiro trimestre.

“Em julho, no máximo setembro, estaremos qualificando a linha de produção junto aos clientes. É um processo normal, alguns clientes demoram até três meses para avaliar se os produtos de uma nova fábrica atendem os requisitos”, explica.

Um terço da linha será levado da planta da Smart de Atibaia. O restante será novo. A meta é fazer com que a produção de módulos de memória e SSDs seja dividida meio ao meio entre Manaus e o interior de São Paulo. Mas apenas em Atibaia haverá encapsulamento de circuitos.

Nunes afirma que a Smart não enfrenta problemas de insumos junto a fornecedores, graças a contratos de longo prazo. Mas diz que houve uma expansão no mercado mundial de computadores que, neste ano, vai levar a aumento de preços de memórias.

“O aumento de computadores vendido se deu no mundo todo. Espera-se venda de 340 milhões de unidades este ano de computadores. Em 2016 foram 240 milhões. Em 2019 e 2020 não houve reajuste de preços das memórias, ao contrário, houve queda. O que já nos faz prever uma inflexão, um aumento em algum momento este ano”.

A nova unidade deverá vender para fabricantes situados na Zona Franca e em regiões onde faça mais sentido atender, conforme os custos logísticos, em relação a Atibaia.

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