Setor de telecom precisa ampliar investimentos, defende governo


Governo publicou relatório que aponta necessidade de incentivar a ampliação dos investimentos. O material mostra que partir de 2029, os aportes anuais do setor em infraestrutura vão cair. Até lá, o investimento é sustentado com o atendimento das obrigações do leilão 5G.

PILP revela que setor de telecom precisa de investimentos
Crédito: freepick

O Governo Federal lançou o Plano Integrado de Longo Prazo para a Infraestrutura (PILP), de 2021 a 2050, que mostra que o setor de telecomunicações ainda necessita de investimentos. Segundo o documento, é preciso tomar medidas para o setor aumentar os investimentos futuros, que apresentam tendência de baixa. A análise foi elaborada pelo Ministério da Economia.

As projeções revelam que a partir de 2029, o investimento anual em infraestrutura em telecomunicações começa a cair. De R$ 37,13 bilhões em 2028 passará para R$ 33,39 bilhões no ano seguinte; em 2030, o investimento será de R$ 32,39.

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“A maior intensidade de investimentos deve ocorrer nos cinco primeiros anos de outorga ( do 5G) , mas no restante do decênio os efeitos esperados ainda são relevantes”, revela o relatório.

Segundo o documento, há expectativa de crescimento da receita em 2,5% ao ano e de aumento da relação capex/receita das operadoras para pouco mais de 25% até 2025, frente à média histórica de 20%. O motivo para isso, de acordo com o relatório, é a recuperação econômica e o leilão associado à tecnologia de 5G são os principais fatores que motivam essa expectativa. Em termos de valores, projeta-se um fluxo anual médio de R$ 36 bilhões em investimentos em infraestrutura de telecomunicações para o período 2021-2030.

As iniciativas vinculadas ao edital do 5G representam um montante R$ 74 bilhões do total estimado para ser investido entre 2022 e 2031 e incluem a implantação de redes 5G em municípios, 4G em localidades e rodovias, e a implantação de rede de transporte de dados (backhaul) em fibra óptica.

Hiato

O principal diagnóstico setorial disponibilizado pelo Governo Federal é o contido no Plano Estrutura de Redes de Telecomunicações (PERT 2019-2024), elaborado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Esse documento destaca que, nos últimos anos, o Brasil registrou um crescimento significativo da quantidade de acessos (assinaturas) de banda larga fixa, especialmente daqueles baseados em infraestrutura de fibra óptica.

Hoje, mais da metade do total de acessos é baseada nessa tecnologia, que está associada a conexões com maior velocidade. No entanto, a entrada da banda larga fixa (razão entre a quantidade de acessos e a população), ainda que superior à medida mundial, está distante à dos países desenvolvidos. De acordo com o PERT, as áreas urbanas da totalidade dos 5.570 distritos-sede dos municípios brasileiros estão cobertas por algum tipo de infraestrutura de rede de acesso móvel (celular). A grande maioria já dispõe de serviço de quarta geração (4G), que permite conexão em banda larga em alta velocidade, mas 298 contam somente com de redes de tecnologias anteriores (2G ou 3G).

No caso das redes de acesso móvel, a maior desafio está associado ao atendimento de localidades não-sede – interiorização da cobertura do serviço. A Anatel mapeou um total de 16.318 localidades não-sedes no Brasil e analisou a situação da cobertura de 14.641 dessas localidades. Identificou que 6.107 não possuem qualquer cobertura móvel (2G, 3G ou 4G) e 7.703 não possuem cobertura 4G. Ainda sobre a disponibilidade de infraestrutura de acesso 4G, o PERT apresenta a situação das rodovias federais. O relatório identifica 125.054 km de rodovias federais, dos quais somente 50.647 km (40,5%) são cobertos por serviço 4G.

“A disponibilidade e a qualidade dos serviços de telecomunicações, em especial os serviços de banda larga, sejam eles fixos ou móveis, depende da existência de infraestrutura robusta de redes de transporte de dados (backhaul) que dê suporte esses serviços”, diz o PERT.

Projetos de infraestrutura

No setor de telecomunicações o relatório aponta dois grupos de projetos de infraestrutura, que são do Ministério das Comunicações (MCom). A maioria dos investimentos desses projetos são obrigações do edital do 5G e totalizam R$ 78,6 milhões.

Confira a íntegra do relatório.

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