Setor agro demanda tecnologia e perde profissionais para outros segmentos


A falta de profissionais qualificados em tecnologia para trabalhar nos diversos setores de produção é real. No agro, esse problema é ainda maior. O setor agro é grande demandante de tecnologia e a formação desses profissionais é urgente, aponta a Brasscom.

Crédito: TV.Síntese

O setor agro é  grande demandante de tecnologia e existe um desafio no Brasil que é aumentar a conectividade no campo. Mariana Rolim, diretora executiva da Brasscom, ressalta que somente avançando na preparação de profissionais voltados para o campo é que esse objetivo será alcançado. Para isso, é necessário aumentar o número de pessoas que fazem cursos voltados para a área de tecnologia.

Atualmente, existem apenas 53 mil alunos formando em TICs (tecnologia da informação e comunicação) ao ano, enquanto a demanda é de 159 mil profissionais. A diretora-executiva da Brasscom ressalta que é importante ter estratégias para aumentar esse número. E a expectativa é que no futuro, depois de executadas algumas propostas formuladas pela entidade, o número de formandos chegue a 237 mil, superando a demanda de 159 mil ao ano.

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Para o país conseguir atingir essa meta, será  preciso traçar uma estratégia. E a Brasscom analisou várias grades curriculares de diferentes cursos de graduação para verificar se esses cursos ofertavam disciplinas vinculadas à tecnologia da informação. E, de acordo com a oferta das disciplinas, foram dadas notas para cada curso, que variaram de 0 a 5, sendo que 5 seria o curso com maior afinidade para uma formação de tecnológico.

“A nossa proposta é que o curso, que não ofereça todas essas disciplinas, passe a integrá-las”, afirmou.

Evasão Escolar

Os cursos de tecnologia são os que apresentam a maior taxa de evasão escolar, apontou Mariana. O percentual de alunos que não completam o curso é de  33%, seguido por ciências com 28,3%; engenharia 28,1% e matemática com 24%. “A gente consegue potencializar a estratégia justamente por conta de uma média ponderada de evasão de todos esses cursos. Então, chegamos em uma taxa de 28,8%, o que é menor do que a taxa de tecnologia. Assim, potencializamos essa nossa estratégia”, completou Mariana.

Com relação a diversidade étnica, Mariana ressalta que nos cursos de tecnologia são 167 mil alunos sendo apenas 14,8% mulheres. Ela ressalta que ainda existe um estigma que precisa ser quebrado,  o de que mulheres não podem ir para área de tecnologia. Outra taxa de que deve ser melhorada, de acordo com Mariana é o de pessoas com deficiência, que fazem cursos voltados para área de Ciência e Tecnologia. Hoje são apenas 1350 alunos de tecnologia portadores de alguma deficiência,  e o maior número deles apresenta  deficiências físicas com quase 33% dos alunos, seguidos das outras deficiências como auditiva, visual, entre outras. Entre as pessoas com deficiência, as mulheres representam 3,6% e os homens 86,4%.

A Brasscom identificou ainda que a maior demanda de profissionais no setor de tecnologia é para desenvolvedor web mobile. Mas para essa capacitação, a carga horária gira em torno de 500 a 800 horas, o que acaba sendo elevada e por isso tem altas taxas de evasão.
Outro ponto que a Brasscom identificou foi que a evasão tem relação com as dificuldades socioeconômicas da população. Além disso, os currículos possuem uma deficiência em disciplinas técnicas, além da ausência de disciplinas voltadas para habilidades socioemocionais.

A partir desses dados, a entidade criou  um programa de aceleração de capacitação tecnológica, que visa formar profissionais para esse setor. A diretora ressalta que a ambição do projeto é formar, em 4 anos, 157 mil alunos em desenvolvimento web. “Sabemos que a tecnologia muda toda hora, mas podemos resolver esse problema fazendo ajustes na grade curricular. Essa grade curricular possui 264 horas de matérias, incluindo toda a parte técnica voltada para algoritmos, programação, como também disciplinas voltadas para habilidades socioemocionais com um projeto integrador”.

De acordo com a Brasscom, um projeto piloto foi lançado no ano passado e resultados já começaram a aparecer, com taxa de evasão  baixa. Foram formados 100 alunos e a taxa de evasão ficou em 17%. Agora, “a Brasscom está analisando para ver se precisa ajustar a grade curricular, além de analisar como os alunos se desenvolvem nas empresas”.  O próximo passo da Brasscom é ir atrás de recursos para que seja possível massificar este projeto.

Em relação as falhas nos currículos, a Brasscom já publicou currículos de referência para a área de TI, em habilidades socioemocionais e no segundo semestre irá publicar sobre telecom e tecnologia. De acordo com a diretora, o setor de agro vem passando por uma reformulação tecnológica nos últimos anos utilizando sensores, drones e tudo isso tem gerado um grande volume de dados que precisam ser tratados e analisados constantemente. Portanto, a necessidade de novos profissionais que conheçam tecnologia no setor agro é urgente.

 

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