SET quer previsão de custo de adaptação de sistema de recepção no leilão de 700 MHz


A Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão (SET) apresentou nesta quinta-feira (13) os resultados dos testes encomendados à Universidade Mackenzie sobre a possibilidade de interferência dos sistemas de banda larga móvel LTE na TV digital quando estes ocuparem a faixa de 700 MHz. O levantamento aponta que, a depender do receptor de sinal de TV utilizado, há possibilidade de invibilizar a radiotransmissão de canais de TV, quando a potência da estação rádio é alta (simulação de proximidade da ERB com os receptores). Quanto mais velho o receptor, pior a recepção. Também foi verificada a possibilidade de interferência dos dispositivos móveis LTE em 700 MHz no sinal da TV Digital. A entidade não apresentou número de pessoas que poderiam ser impactadas. 

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“Observamos diversos prédios em São Paulo que têm antena de TV no topo e também alugam o espaço para uma operadora colocar a antena de celular. Não estamos falando de situação hipotética”, salientou o especialista do Mackenzie, Gunnar Bedick Jr, que dirigiu a pesquisa para a SET. 

A preocupação quanto à possibilidade de interferência de dispositivos móveis no sinal de TV Digital é maior porque muitos brasileiros utilizam antenas internas, o que aproxima a fonte de interferência, explicou Ana Eliza Faria e Silva, diretora de tecnologia da SET. Segundo ela, metade dos paulistanos utiliza antena interna, mas nem todos seriam afetados, uma vez que isso vai depender da potência do sinal de TV recebido. Não há dados sobre a proporção de brasileiros que utiliza a antena externa.

A avaliação da SET é que, diante da variedade de sistemas de recepção de sinal de TV no país, a possibilidade de interferência e da dificuldade tanto técnica como financeira de parte dos brasileiros em lidar com a situação após a implementação da banda larga móvel LTE em 700 MHz, o governo deveria prever no leilão o custo de adequação dos sistemas. “O grande custo está na estrutura de recepção, revisão da intalação coletiva ou individual”, afirmou Ana Eliza.

Para ela, a criação de uma empresa para acompanhar o processo de desligamento da TV analógica, a recanalização e a implementação da banda larga móvel LTE em 700MHz só será eficiente se seu escopo for além da definição de filtros. “Você pode ser reativo, ou se antecipar ao problema. Tentar resolver antes que as pessoas comecem a se aborrecer e procurar outras formas de ver TV”, declarou. A migração da Tv analógica para a digital e a limpeza de parte da faixa de 700 Mhz e destinação para a banda larga móvel ocorre em meio a profundas mudanças na forma como os brasileiros vêem televisão, com o surgimento e crescimento das opções sob demanda e amplicação da penetração da TV paga no Brasil.  

No Japão, país que está mais adiantado no processo de migração da TV analógica para digital e liberação da faixa para a tecnologia de banda larga móvel LTE, estima que em US$ 500 a adaptação de cada localidade (incluindo filtro, adaptação do sistema de recepção e mão de obra) para a recepção do sinal de TV Digital sem interferência da internet do celular. O custo dessa adaptação em todo o país seria de US$ 3 bilhões. 

A SET também apontou a necessidade de melhoria na seletividade da recepção de TV e redução das emissões fora da faixa dos sistemas LTE; necessidade de filtrar o sinal de downlink especialmente nas residências próximas à estação base e a adequação de novos televisores com a inclusão de filtros; revisão das especificações de dispositivos móveis e de televisores e alimitação de potência das ERBs. A estimativa da SET e que até 2018, 10 milhões de televisores tenham sistemas não adaptados à transmissão de sinal de banda larga móvel a partir do canal 52 da faixa de frequência. 

Os testes utilizaram seis diferentes receptores, de ano de fabricação e marcas diferentes – todos os equipamentos testados estavam em conformidade com a normal ABNT NBR 15.604, da TV Digital. Foram feitas 3,2 mil medidas até agora, algo entre 50 a 80 por dia. 

Diálogo com o governo
A SET frisou que mantém diálogo com o Ministério das Comunicações, Anatel e com o setor de telecomunicações para encontrar uma especificação que permita a convivêcia dos sistemas de TV Digital e banda larga móvel LTE. “Entregamos um relatório [para o governo], já tivemos reunião. Há diálogo e esperamos que isso se traduza em resultado”, declarou Olímpio José Franco, presidente da SET.

O executivo reafirmou hoje a a máxima do setor de radiodifusão quando se trata da desocupação de parte da faixa de 700 Mhz: os novos entrantes, o setor de telecom, é que devem pagar a conta. As últimas notícias de que o governo pretende usar o leilão da frequência para fazer caixa, porém, pesa contra essa lógica. Se o governo quer arrecadar, deve pedir menos contrapartidas dos compradores. 

Além da SET, a GSMA realizou testes de interferência entre a TV digital e a banda larga móvel LTE em 700 MHz. A própria Anatel contratou um teste na mesma linha, ainda em andamento. 

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