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SES aposta em nova geração de satélites para ampliar mercado global

Companhia com sede em Luxemburgo se prepara para lançar comercialmente serviço de banda larga da constelação O3b mPOWER; expectativa é de aumentar consideravelmente a base de clientes B2B em todo o mundo e habilitar novas tecnologias
Parque de antenas da nova geração de satélites O3b mPower, na sede da SES, em Betzdorf, em Luxemburgo
Parque de antenas da nova geração de satélites O3b mPOWER, na sede da SES, em Betzdorf, em Luxemburgo (crédito: Eduardo Vasconcelos/TeleSíntese)

Às vésperas de lançar comercialmente um novo serviço de conectividade via satélite, a SES tem a expectativa de ampliar consideravelmente o seu mercado consumidor em todo o mundo, além de habilitar a implementação de tecnologias de ponta, como redes privativas 5G, gêmeos digitais, Internet das Coisas (IoT) e aplicações para comunicação em grupo em missões críticas.

Em breve, a empresa deve lançar ao espaço mais dois satélites da constelação O3b mPOWER, cujos quatro primeiros já trafegam pela órbita terrestre média (MEO). Com seis equipamentos, a operadora B2B já será capaz de prover globalmente o serviço de banda larga, previsto para o terceiro trimestre deste ano. A constelação terá, ao todo, 11 satélites.

Segundo Michael Dalheimer, gerente sênior de Operações de Naves Espaciais da SES, a O3b mPOWER, segunda geração de satélites MEO da companhia, aumentará significativamente o mercado disponível da empresa.

“No serviço MEO clássico, podemos cobrir áreas com até dez clientes [corporativos] diferentes. Mas, com o novo mPOWER, teremos capacidade para prover serviços para até 3 mil clientes em cada região”, afirmou Dalheimer, em encontro com jornalistas, na sede da SES, em Betzdorf, em Luxemburgo, na quinta-feira passada, 15.

Além disso, o executivo destacou que a empresa desenvolveu um sistema capaz de fazer com que os satélites da nova constelação se movam com mais rapidez e cubram eventuais espaços deixados uns pelos outros, de modo a evitar áreas sem cobertura.

“A situação mais desafiadora é que os clientes também estão em movimento”, apontou Dalheimer. “Talvez, você não esteja em uma área remota, mas esteja sentado em um avião se movendo pelo Atlântico. Então, o satélite, a antena e o avião estão se movendo. Portanto, para lidar com tudo isso e garantir um bom serviço, tivemos de desenvolver ferramentas para fazer esse serviço de movimentação”, complementou.

Michael Dalheimer, gerente sênior de Operações de Naves Espaciais da SES
Michael Dalheimer, gerente sênior de Operações de Naves Espaciais da SES (crédito: Eduardo Vasconcelos/TeleSíntese)

O gerente sênior da SES ainda disse que, do ponto de vista operacional, a companhia dividiu a equipe de monitoramento dos satélites em times de  geoestacionários (GEO) e de órbita média terrestre (MEO). “Todos fazem um treinamento específico de seis meses para operar em cada órbita. Só com as certificações podem se juntar às respectivas equipes”, pontuou.

Infraestrutura terrestre

Uma das apostas da SES para a nova geração de satélites é a possibilidade de implementar redes privativas 5G em quase todos os cantos do planeta por meio da instalação de poucos equipamentos.

“Literalmente, o cliente recebe duas caixas com antenas. É só instalar e conectar os dispositivos à energia para receber conectividade de internet. É tudo o que precisa fazer”, resumiu Saba Wehbe, vice-presidente de Serviços de Engenharia e Entrega da SES.

“Uma das melhores coisas é que a mPOWER permite que o consumidor tenha a sua própria rede privada 5G. Não há intermediários envolvidos, é uma completa rede privada baseada em satélite. Isso é uma capacidade muito poderosa para operadoras, grandes empresas e governos”, acrescentou.

De acordo com Wehbe, a companhia já fez testes nas Ilhas Cook, um arquipélago no Pacífico Sul a 2,7 mil km de distância da Nova Zelândia. “Em três horas, o sistema se tornou operável e não tivemos nenhum incidente técnico ou reclamação de conectividade”, assegurou.

Saba Wehbe, vice-presidente de Serviços de Engenharia e Entrega da SES
Saba Wehbe, vice-presidente de Serviços de Engenharia e Entrega da SES (crédito: Eduardo Vasconcelos/TeleSíntese)

Apesar dos prometidos avanços da mPOWER, a SES indica que manterá em funcionamento a sua primeira geração de satélites MEO, a constelação O3b. No entanto, a companhia tem se debruçado sobre um programa de atualização de suas infraestruturas terrestres, de modo que todas sejam compatíveis com o novo serviço de banda larga.

“Tecnicamente, quando a mPOWER for lançada, a O3b continuará operacional e vamos usar os satélites até o fim de seu período de vida útil. A ideia é que vamos atualizar as infraestruturas terrestres para fazer com que se adequem a O3b mPOWER. Isso será feito para GEO também. A ideia geral é que a mPOWER transcende a constelação. Desse modo, o consumidor, com o mesmo complemento de hardware, poderá usar serviços de O3b, O3b mPOWER ou SES-17”, explicou Wehbe.

Nova constelação

Construídos pela Boeing e lançados ao espaço pela SpaceX, os satélites da constelação O3b mPOWER operarão a 8 mil km da superfície da Terra. Segundo a SES, o sistema alcançará 96% da população global, com capacidade dinâmica para fornecer de dezenas de Mbps até múltiplos Gbps por feixe satelital.

O foco da empresa são clientes corporativos, como cruzeiros, companhias aéreas, operadoras de rede móvel, provedores de nuvem, petroleiras, mineradoras e forças armadas.

No encontro com a imprensa, técnicos da operadora fizeram demonstrações do potencial da nova constelação, incluindo gêmeos digitais de embarcações e plataformas de petróleo; uma rede 5G standalone disponível em uma mala de viagem; uma solução de comunicação para ambientes críticos (push-to-talk); e uma solução de machine vision, por meio da qual equipamentos autônomos podem identificar situações inadequadas em ambientes monitorados.

O jornalista viajou a Luxemburgo a convite da SES

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