TIM quer levar 4G para 90% dos brasileiros em dois anos


O CEO da TIM Brasil, Rodrigo Abreu, afirmou hoje, 28, em evento em São Paulo, que a operadora está passando por uma profunda transformação em meio ao que classificou como “tempestade perfeita” que atravessa o país.

“Não existe caminho fácil daqui para a frente. Para se ultrapassar este caminho, tem que se pensar no longo prazo. No médio e longo prazo, ainda vemos oportunidades no Brasil”, afirmou.

Ele reapresentou o aumento de investimentos que a companhia fez este ano no país, que vão somar R$ 14 bilhões, valor que será mantido em 2016. Destacou que no ano passado e neste a operadora realizou um turnaround em infraestrutura, que mudou sua posição difinitivamente no mercado nacional.

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“A TIM era terceira em 4G, estava em 45 municípios em dezembro. Este mês, estamos em 265 cidades, com meta de cobrir 400 municípios até o final do ano, cobrindo 100 milhões de pessoas. Em dois anos, o nosso 4G cobrirá 90% da população”, promete.

Os investimentos vem sendo feitos em redes ópticas e heterogêneas, as hetnets, que combinam small cells, pico cells, femtocells ao backbone óptico e RAN de quarta geração. “Não estamos brincando. O 4G será uma mudança significativa em nosso posicionamento de infraestrutura”, comentou. Ele lembrou também o reposicionamento da operadora na busca pelo mercado pós-pago, enquanto mantém o cliente do pré-pago na carteira com aumento da oferta de dados.

Abreu lembrou que ainda há questões a ser endereçadas pelos reguladores do setor, e que podem interferir nos investimentos das operadoras. Elogiou iniciativas como o REPNBL, a desoneração de small cells, revisão do Fistel para M2M, todas questões que enxerga tendo “a sustentabilidade do setor como objetivo”.

Mas se disse preocupado, porém, com final do incentivo à produção de smartphones, os recentes aumentos de ICMS para o setor, cobrança acentuada do Condecine, pressões fiscais e defasagem do marco regulatório das comunicações. E vê como amaças questões ainda a ser definidas, como a neutralidade de rede (a operadora tem ofertas de zero-rating com o WhatsApp), a aplicação de fato da Lei das Antenas nos municípios brasileiros, o uso do FUST, a implementação do programa Banda Larga para Todos e revisão dos TACs das operadoras.

Pré-pago
Neste segmento, Abreu espera transformações profundas. Ele voltou detalhar o processo de migração do multi-SIM, em que o usuário usa chips de duas ou mais operadoras, para o single-SIM, motivada pelo crescimento da demanda por dados. O valor sobre a troca de dados independe de operadora, diferentemente das chamadas telefônicas, sobre as quais recaem tarifas como a VU-M.

Ele espera uma volta a patamares de 2008 ou 2009 no número de usuários de telefonia móvel no Brasil até 2018. Em compensação, aumentará o número de usuários únicos devido à entrada de novos consumidores. “Número de usuários únicos cresce, a estimativa é que chegue a 135 ou 138 milhões, com expectativa para 150 milhões em dois a três anos”, contou. A manutenção do Fistel com o peso atual deve sustentar o cenário de redução da base multi-SIM. “Um Fistel de R$ 23 por ano, mais R$ 13 de atuação não pode compensar o usuário de 2 reais de apo por mês”, completou.

Valor adicionado
Abreu também mostrou os resultados que a companhia vem obtendo com o SVA, depois de reiterar que espera para meados do próximo ano a transição definitiva na geração de receita, com dados gerando mais ganhos que voz.

Segundo ele, o TIM Saúde possui 300 mil clientes; TIM Music tem 1 milhão; 600 mil assinam a plataforma de ensino de idiomas; 450 mil usam o TIM Kids; 250 mil já têm a Banca Virtual; 140 mil assinam o TIM Gourmet. Em 2014, os serviços de valor adicionado geraram R$ 1,2 bilhão em receitas para a tele.

Abreu se apresentou durante a Futurecom 2015, evento que reúne o setor atém amanhã, em São Paulo.

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