Resgate do BES pode trazer perdas para a PT


A fórmula encontrada pelo agente regulador português para solucionar a crise do Banco Espírito Santo, de recapitalização feita através do Fundo de Resolução, que injeta 4,9 mil milhões de euros, com grande parte deste valor a ser financiado através de um empréstimo de 4,4 mil milhões de euros junto do Tesouro português, agradou ao mercado. Mas para os investidores, como a Portugal Telecom, que ficará na parte ruim do banco, a situação não é tranquila e há especulações sobre amplas perdas.

A solução, anunciada ontem ao final da noite, passa pela divisão do segundo maior banco (que a partir de amanhã deixa de estar cotado na bolsa) em dois: um banco-bom para onde serão transferidos os depósitos, os créditos sem risco e os ativos rentáveis que se chamará Novo Banco; e um banco-mau, que preserva a marca BES, que receberá os créditos associados ao GES e às empresas satélites (como o BESA) ou sem condições de pagá-los. No banco-mau ficarão os acuais acionistas (GES, Credit Agrícole, PT, Bradesco) e os detentores de obrigações que responderão pelas perdas.

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O BES passará a ser gerido por Luís Máximo dos Santos. Ao seu lado, anunciou este segunda-feira (4) o regulador, terá César Brito (ligado ao Banco de Portugal) e Miguel Morais Alçada (que foi responsável pela direção de recuperação de créditos do Banif), como vogais do conselho de administração.

Já o Novo Banco manterá como CEO Vítor Bento, agora com a chancela das autoridades e não dos privados, e ainda José Honório e Moreira Rato (CFO). O acionista será o Fundo de Resolução bancária, que é gerido também pelo Banco de Portugal, e fundeado nos bancos com atividade naquele país. Os trabalhadores e as agências do BES passam para a esfera do Novo Banco, assim como os depositantes e os credores sem dívida subordinada do BES. Para estes nada mudará, portanto.

A PT tem mais de 2% di BES, que participa em mais de 10% da operadora portuguesa. Há quatro meses, a tele comprou, sem avisar, € 897 milhões (cerca de R$ 2,7 bilhões) em papéis da dívida da RioForte, empresa do Grupo Espírito Santo. Os títulos venceram no mês passado e não foram pagos. A RioForte está em processo de recuperação judicial, assim como outras empresas do grupo português.(Com jornais portugueses)

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