Reino Unido pode interferir na venda da Arm à nVidia


O fundo japonês Softbank vendeu a ARM, maior designer de chips móveis do planeta, para a nVidia, dos EUA. A transação prevê o pagamento de US$ 40 bilhões, dos quais R$ 21,5 bilhões serão em troca de ações, o que tornará o Softbank dono de até 10% da nVidia, e US$ 12 bilhões em dinheiro.

Haverá ainda o pagamento de US$ 5 bilhões caso a desenvolvedora de chips atinja metas financeiras até a conclusão da compra, além da distribuição de US$ 1,5 bilhão em ações a funcionários atuais da ARM.

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A expectativa das empresas é que a venda seja concluída em até 18 meses. No caminho, é preciso obter aval definitivo dos reguladores dos principais mercados em que atuam, como Reino Unido, Estados Unidos, União Europeia, e China.

Para o Softbank, a venda faz parte dos planos de recuperação, após resultados ruins ligados a aportem em empresas de tecnologia, como WeWork e Uber. Para a nVidia, a estratégia abre a carteira de relacionamentos, passando a ter 15 milhões de clientes (fabricantes de componentes e desenvolvedores de tecnologia), antes os atuais 2 milhões. Também permitirá incluir tecnologia de Inteligência Artificial nos dispositivos que usam design ARM.

Interferência do governo do Reino Unido

Os designs licenciados pela ARM foram usados em chips que equiparam 180 bilhões de dispositivos nas últimas décadas. Apenas em 2019, 22 bilhões de aparelhos traziam chips baseados na arquitetura desenvolvida por pesquisadores na Universidade de Cambridge, no Reino Unido. Recorrem aos projetos da ARM empresas como Qualcomm, Samsung e Apple.

Não à toa, o governo britânico vai analisar minuciosamente o negócio. À Reuters, o porta-voz do governo britânico disse hoje, 14, dia seguinte ao anúncio da fusão entre as empresas, que a ARM é uma importante parte do Reino Unido e grande contribuinte da economia local. “Embora aquisições sejam tema comercial de interesse principal dos envolvidos, o governo monitora de perto e não hesita em investigar o impacto local para tomar medidas necessárias”, disse o porta-voz à agência de notícias.

O governo enfrenta pressão do partido trabalhista inglês desde que os rumores da aquisição vieram à tona neste ano, e se intensificaram no começo do mês. E sinaliza com uso de regras de controle comercial ligadas à legislação de segurança nacional para interfererir.

A fim de assegurar o negócio, a nVidia propôs realizar investimentos no Reino Unido. Vai montar um centro de pesquisa em inteligência artificial em Cambridge (berço da ARM), no qual será implantado um supercomputador aberto para o uso de pesquisadores britânicos e do resto do mundo.

O centro também vai oferecer bolsas periódicas de pesquisa e IA aplicada à saúde, veículos autônomos, robótica, ciência de dados. Também terá cursos a partir da criação de um instituto de ensino em IA na cidade. A nVidia também promete direcionar mais fundos para a iniciativa de fomento a statups do Reino Unido. Empregos e sede da ARM seguem também no país.

Concentração e guerra comercial

A fusão entre ARM e nVidia também gera apreensão entre fabricantes de chips asiáticos. Na Coreia do Sul, representantes da Samsung declararam temer a concentração do mercado de design de chips nas mãos dos americanos.

Já na China, há preocupação que o negócio seja usado na guerra comercial promovida pelo governo de Donald Trump, que vem proibindo negócios entre empresas dos EUA e da China. A nVidia poderia ser impedida de comercializar a tecnologia da ARM a fabricantes chineses de componentes.

Precedentes existem. Na última semana, Trump ameaçou vetar negócios da SMIC, fabricante chinesa de chips, com empresas norte-americanas, além disso, já há barreiras que impedem Huawei (que fabrica chips com a marca Hisilicon), de obter licença para uso de tecnologia desenvolvida dos EUA. (Com noticiário internacional)

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