Quem está por trás da nota da GVT?


Na segunda-feira(2), o mercado foi surpreendido com uma não esperada nota da GVT contra o especulado fatiamento da TIM Brasil. Sabe-se que a GVT gostaria de ter um braço móvel, mas a situação de seu controlador, o grupo Vivendi, não é das mais favoráveis na Europa, embora a operadora vá muito bem no Brasil. Portanto, a compra da TIM pela GVT ou a junção das duas empresas é considerada muito remota, por falta de bala da Vivendi e porque uma eventual fusão também não resolveria os problemas de caixa da Telecom Italia.

Então, por que a GVT divulgou uma nota oficial contra o fatiamento da TIM – e a venda de suas fatias para os concorrentes Vivo, Claro e Oi — em nome da competição no mercado? O que causa estranheza não é a nota contra o fatiamento. Muita gente no país é contra a eliminação de um competidor na telefonia móvel celular, que hoje conta com quatro players nacionais, mais a Nextel, focada em nicho. É o fato de a GVT, pouco afeita a se expor em debates polêmicos, ter se posicionado publicamente. Uma das possíveis explicações é de que ela pode mesmo vir se juntar à TIM, ou comprá-la, tendo por trás a poderosa AT&T, a maior operadora dos Estados Unidos.

As especulações nesse sentido se apoiam no recente movimento da AT&T, que comprou por US$ 49 bilhões a Direct TV, operadora de TV por assinatura que tem 18 milhões de clientes na América Latina. A Direct TV controla a Sky, que no Brasil lidera o mercado de TV por assinatura via satélite e a segunda no ranking da TV paga. Para não ter problemas com os reguladores regionais, a AT&T também anunciou que vai vender sua participação na América Móvil, de Carlos Slim (no Brasil ela controla Claro, NeT e Embratel).

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Mas qual seria a razão de a AT&T usar a GVT como veículo, e não comprar diretamente a TIM Brasil, se é que está mesmo à venda? Segundo os defensores dessa tese – e estes não são poucos no mercado -, a AT&T não gosta de atuar em mercados regulados e, assim, preferiria entrar na telefonia móvel brasileira por meio da GVT.

A tese pode ser até fantasiosa, mas faz algum sentido. Até porque o fatiamento da TIM, defendido desde o ano passado por alguns de seus concorrentes frente às especulações de que a Telecom Italia poderia ter que vender este ativo para se capitalizar, continua em pauta. Todas as partes, inclusive a Telecom Italia, negam negociações nesse sentido. Mas os desmentidos esbarram nos frequentes depoimentos de executivos de operadoras móveis no Brasil e no mundo contra a fragmentação do mercado, e nos movimentos de concentração que são registrados nos Estados Unidos e na Europa.
No cenário de hoje, é pouco provável que uma iniciativa desse tipo venha a ser aprovada pelas agências reguladoras – Anatel e Cade. Mas os movimentos mundiais rumo à concentração podem, no futuro, trazer novos condicionantes ao mercado de telefonia móvel. A ver.

 

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