Processadores Atom voltarão ao mercado móvel Brasileiro


onofre-tamargo-spreadtrum-latamA plataforma Atom para celulares, desenvolvida pela Intel, voltará ainda este ano a equipar dispositivos montados no Brasil. Mas a responsável pela distribuição do SoC (system on chip) não será a própria multinacional norte-americana. Será a chinesa Spreadtrum.

No final do ano passado a Intel avisou que sairia do mercado móvel, deixando de desenvolver o Atom. Anunciou até acordo com a ARM, dona de arquitetura concorrente, para criar chips IoT. Mas isso não significou o fim da plataforma, que continou a evoluir através de uma empresa da qual é acionista. A Spreadtrum manteve o desenvolvimento, e contrata a produção nas fábricas da Intel. Vem pesquisando maneiras de usar o Atom em todos os segmentos móveis, do feature phone (o celular mais básico) ao topo de linha.

Este ano, pretende fazer com que o Atom, até então vendido com foco nos smartphones intermediários, possa ser propagandeado como as entranhas do celular mais refinado, equipando topos de linha das clientes. No último Mobile World Congress, anunciou uma versão nova do SoC, com oito núcleos, fabricado em 14 nm, capacidade de reproduzir vídeos 4K, lidar com câmeras de até 26 MP e modem 2G, 3G e 4G embutido.

No Brasil
Muitos brasileiros usam celulares com os chips Spreadtrum, sem saber. No rol de compradores locais estão Samsung, Alcatel, Positivo, Multilaser, ZTE, Rockcel, Qbex, Qtouch e Asus. Sabe quando o manual ou caixa do aparelho não distingue a marca do processador? Grandes são as chances de ser um Spreadtrum. Sabe a linha J1 e J3, da Samsung? É equipada pela Spreadtrum, com os chips SC7727C e SC9830, respectivamente.

A empresa é a terceira em participação no mercado local, atrás de Qualcomm e Mediatek. Seus chips, nem todos baseados na plataforma Atom, estão em 10% a 15% do celulares vendidos no país, segundo Onofre Tamargo, diretor da empresa para a América Latina (foto). Ano passado, cresceu 50% em receita, atingindo um faturamento de US$ 100 milhões no Brasil – o país representa um terço das vendas na região. No mundo, a companhia faturou US$ 1,6 bilhão em 2016.

A expectativa do executivo é que este ano o crescimento se repita, e com uma equipe pequena. A empresa tem um escritório em Campinas (SP), com um engenheiro. Está contratando outro e montando equipe de vendas. “Cerca de 10 milhões dos celulares no Brasil usam nossos chips, e o contrato que firmamamos ano passado com a Samsung tem duração de dois anos. Estamos ganhando muito mercado agora porque nossa solução é muito acessível”, explica Tamargo.

Segundo ele, a Spreadtrum é hoje a fabricante que mais vende chips para feature phones no mundo, com cerca de 80% desse mercado. Entre smartphones, têm 15% de share, atrás de Qualcomm, Apple, Mediatek, Samsung (Exynos). Foram 150 milhões de chips vendidos. “Por enquanto o nosso foco é continuar a crescer nos segmentos de baixa e média gama, mas até o final do ano vamos trabalhar com média e alta”, acrescenta.

Operadoras
A Spreadtrum já acionou todas as operadoras no país, com as quais testa a compatibilidade de seus chips (tanto aqueles de arquitetura ARM, quanto os x86) com as redes LTE e LTE-A em implementação. “Estamos trabalhando muito com elas para testar o VoLTE e o VoWiFi”, conta.

VoLTE, ou voz sobre LTE, permite a comunicação por voz por redes 4G, enquanto o VoWiFi, faz o mesmo, pelo WiFi. O celular faz a chamada, em ambos os casos, pelo mesmo aplicativo de chamadas tradicional, mas o chip é capaz de reconhecer a rede disponível e usar a tecnologia de transmissão mais adequada. O próximo passo, promete, é lançar aqui um chip para feature phone com VoLTE. Isso permitiria às operadoras investir no 4G, desligando redes 2G (processo conhecido por refarming).

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