Presidente da FCC diz que enfrentar dominância chinesa é desafio geopolítico e cita o Brasil


O presidente da agência reguladora das telecomunicações nos Estados Unidos, Ajit Pai, afirmou hoje, 20, que os Estados Unidos enfrentam o desafio geopolítico de fazer frente à predominância chinesa no mercado das telecomunicações.

Ao participar do evento 6G Symposium nesta tarde, ele disse que o governo dos EUA tem procurado informar parceiros comerciais sobre o risco de permitir que investimentos sejam feitos com base em tecnologia chinesa, que vem conquistando mercado e obtendo liderança em diversas frentes, não apenas na construção de redes.

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“Há considerações geopolíticas a serem feitas em relação à China. Não apenas em relação à implantação rival de tecnologia 5G, mas também em outros frontes, como em inteligência artificial e segurança. Por isso estamos financiando [nos EUA] a troca de equipamentos da Huawei e estamos conversando com o Congresso sobre como acelerar isso”, disse.

Brasil

Pai também citou duas vezes o Brasil em sua apresentação do evento. Na primeira vez, afirmou que os Estados Unidos estão enviando representantes para mostrar aos governantes de outros países as ameaças que o uso de equipamentos da Huawei e ZTE representam.

“Estamos falando com diversos países, do Brasil à Malásia, sobre os riscos de usar esses equipamentos”, resumiu. Segundo ele, a ameaça diz respeito não apenas à segurança das redes, mas ao domínio tecnológico por uma empresa que trabalha em inúmeras frentes, e em todas obtém protagonismo. Ele afirmou que, além de telecom, a Huawei está avançando fortemente no uso de inteligência artificial e blockchain.

“Temos que endereçar isso da forma como pudermos, e trabalhamos com agências de outros países para garantir que entendam e trabalhem pensando nisso também”, afirmou.

Espectro de 6 GHz

Pai também disse, em sua live, que a FCC vem conversando com a Anatel para garantir que o espectro de 6 GHz seja disponibilização de forma não licenciada. Ou seja, que esta faixa de frequência seja dedicada a serviços como o WiFi6E.

“Estamos conversando com o regulador brasileiro sobre abrir os 6 GHz”, disse. Atualmente, a faixa já é “aberta”, e pode ser usada por quaisquer equipamentos de radiação restrita no Brasil. Há pressão da indústria celular para que a Anatel adie a definição das especificações técnicas dos equipamentos que podem acessar essa faixa, uma vez que estuda-se no âmbito da União internacional de Telecomunicações reservar uma fatia para as redes celulares.

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