Presidente da América Móvil acha que a crise é passageira e grupo mantém investimentos


O presidente do grupo América Móvil, José Félix, que recentemente foi conduzido ao cargo, mantém o estilo provocador ao ser indagado sobre os concorrentes do mercado brasileiro: “pensei que a GVT tivesse comprado a Vivo”, responde ele a um jornalista. “Assim como vocês, já ouvi de tudo sobre a AT&T no Brasil”, dispara em outra pergunta. Mas para ele, a meta está traçada: o grupo vai investir o necessário (prefere não dizer que houve uma queda de investimentos), mais ou menos a média dos recursos anuais (cerca de R$ 6 a R$ 8 bi,sem aquisição de frequências). Neste” mais ou menos”, vai priorizar a rentabilidade. Isto significa, por exemplo, explica, que a Claro TV, que oferece DTH via satélite, vai mirar a população das classe C e D e a NET com sua rede de cabo HFC vai chegar nas residências de mais alto poder aquisitivo. Mas está certo de que, mesmo com as dificuldades econômicas por que passa o país, a crise gera boas oportunidades.

Da esquerda para direita: Daniel Barros, CEO da NET, Carlos Zenteno, CEO da Claro, José Félix CEO da América Móvil, José Formoso, CEO da Embratel.
Da esquerda para direita: Daniel Barros, CEO da NET, Carlos Zenteno, CEO da Claro, José Félix CEO da América Móvil, José Formoso, CEO da Embratel.

José Félix, em coletiva hoje, 4, afirmou à imprensa, na abertura da ABTA, que o posicionamento do grupo não muda em relação à rede fixa. A NET vai continuar a investir na rede HFC e não vai levar fibra óptica até a casa das pessoas, porque os investimentos não justificam. “A nossa rede já consegue oferecer até 500 Mega no cabo coaxial. Quem tem uma rede ultrapassada, com XDSL, é que precisa levar a fibra até as residências”, completa.

O executivo assinala que o grupo está lançando em breve, com o novo satélite C4 da Embratel, mais 20 canais em HD,e que as desconexões que estão ocorrendo no setor (segundo a ABTA não haverá crescimento de market share este ano) são da população de mais baixa renda. “Quem ganha 600 reais por mês não pode ter TV por assinatura”, lamenta.  Mas ele se diz otimista com o mercado brasileiro de telecom. “Não sou um alienado, percebo as dificuldades, mas acredito que a crise gera boas oportunidades e não vamos pisar no freio dos investimentos”, completa.

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Ele observa por exemplo, que os números de TV por assinatura devem ser relativizados. Lembra que se houve 5,4% de desconexão em junho, foi menor em relação a junho de 2014, quando a desconexão foi de 5,7%. Completou que a empresa tem que ser mais cautelosa na análise do Capex, fazer expansões que se justificam.

Félix preferiu não se manifestar sobre o novo leilão de frequências da Anatel, previsto para outubro deste ano. Prefere ver o edital na praça para analisar se o grupo vai ou não participar dele.

 

 

 

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