Preço da interconexão cai a um sexto após o PGMC


Embora no geral os preços ofertados pelas operadoras no Sistema Nacional de Oferta no Atacado (SNOA) sejam elevados para o bolso dos provedores regionais, Basílio Perez, presidente da Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações (Abrint), avalia que o sistema já provocou efeitos muito positivos no mercado.

Entre esses efeitos, Perez cita a queda do preço da interconexão classe V. Em São Paulo, o valor de 1 Giga na central da operadora caiu de R$ 750 mil/mês, antes do PGMC, para R$ 137 mil e, no último mês, o valor praticado pela Vivo passou a R$ 32,2 mil/mês. Além disso, a operadora começou a oferecer conexão para demandas menores, a partir de 100 Mega.

Perez apresentou esses dados durante o Encontro Provedores Regionais, realizado hoje em Natal (RN) pela Bit Social. Para ele, o SNOA precisa de vários ajustes, já que está em funcionamento há poucos meses, “mas é uma iniciativa que não tem volta e que mudou o conceito de compartilhamento no setor de Telecom”.

Avanço

Em sua intervenção, Artur Coimbra, diretor do Departamento de Banda Larga do Ministério das Comunicações, também destacou os negócios entre operadoras já realizados via SNOA, em especial o compartilhamento de torres e aluguel de EILD (linha dedicada). Ele também informou que a Anatel deverá realizar no segundo semestre o leilão de 15 MHz na faixa de 2,5 GHz, espectro destinado aos prestadores regionais de serviços de telecomunicações.

“Embora os provedores regionais venham investindo em fibra óptica, a frequência é sempre necessária para ampliar a cobertura da rede”, comentou Erich Matos Rodrigues, vice-presidente do Conselho Consultivo da Abrint. De fato, uma parte expressiva dos provedores presentes ao encontro já investiu ou está investindo em fibra óptica, mas elas ainda representam um trecho pequeno das redes que continuam a usar transmissão via rádio.

Outra realidade

Ao contrário do mercado em São Paulo, onde já há reflexos positivos para os pequenos provedores na taxa de interconexão, no Nordeste do país a realidade é outra: os provedores pagam caro pelo link, além de ainda não ter interconexão classe V. Em estados como o Rio Grande do Norte e a Paraíba, esse é o principal problema relacionado à infraestrutura.

Conforme Antero Matos, do Digtec, provedor de acesso que opera em São Gonçalo do Amarante, na Grande Natal, sua empresa tem que buscar o link no bairro de Alecrim, na capital, e enviar o sinal por rádio para que seu negócio se viabilize. “Se for de Natal para São Gonçalo o custo do transporte aumenta R$ 4 mil por mega”, informou Matos, que participou do evento Provedores Regionais. Ele paga R$ 89,90 pelo mega, preço que deixa de ser “tão caro” se comparado aos R$ 250 (por 1 mega) que seu colega Emanuel Messias Lima, da Inforway, paga para prestar serviços na Paraíba. Ele atua em Araruna, cerca de 200 km da capital João Pessoa.

Fora o preço, os pequenos provedores reclamam também das operações ilegais. “Em Araruna somos três provedores, o meu é o único licenciado”, afirmou Lima. “Falta fiscalização da Anatel”, emendou Matos.

O Encontro Provedores Regionais, realizado hoje em Natal (RN) foi patrocinado pelo BNDES, Padtec e Sebrae e contou com o apoio da Furukawa.

 

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