Positivo tenta guinada para os smartphones


Curitiba – A Positivo Informática pretende se tornar uma das principais concorrentes de Samsung e Motorola no mercado nacional de smartphones. Para isso, ampliou sua linha de celulares inteligentes, atualizou o visual da marca e investiu no desenvolvimento local de design e recursos, que segue pesquisas de opinião para acertar no gosto do brasileiro.

Existe um motivo para a guinada. “As projeções de venda de computadores e tablets não mostram um crescimento no mesmo nível da última década. Estrategicamente, o próximo passo são os celulares”, reconhece Norberto Maraschin Filho, vice-presidente da divisão de mobilidade da empresa. Apesar do novo foco, ele afirma que a empresa não perderá seu foco de se manter maior vendedora brasileira de equipamentos de informática. O que existe é apenas um reconhecimento de que, para o consumidor, o smartphone subiu ao topo da lista de desejos.

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A empresa anunciou ontem, em Curitiba, a linha que ocupará os estandes no varejo e nas lojas das operadoras. Serão três aparelhos, com preços competitivos, variando de R$ 299 a R$ 599, para competir no segmento de entrada do mercado. Os aparelhos são todos 3G. Segundo Filho, produtos high-end estão sendo pensados, assim como modelos de phablets (com telas acima de 5 polegadas).

4G e futuros modelos
Atualmente, os dispositivos adotam chipsets Mediatek, mas Filho afirma que a empresa já negocia também com Qualcomm, especialmente para modelos com 4G. Segundo o executivo, a empresa não lançou ainda um modelo com acesso LTE por considerar a rede limitada. “Hoje o Brasil não tem uma cobertura para entregar os benefícios do 4G que forma que o usuário perceba”, fala.

Na avaliação dele, o sucesso da rede móvel mais rápida não depende dos fornecedores de dispositivos. “O drive do 4G virá das operadoras, não dos fabricantes. É a agressividade dos preços que eles vão entregar que vai determinar o sucesso e velocidade de adoção do 4G no mercado brasileiro”, diz.

A empresa também estuda fabricar celulares com Windows, da Microsoft, e modelos Android com processador Atom, da Intel. A Positivo, que comemora 25 anos de existência, sempre teve entre o rol de parceiros estas duas empresas. “A Intel vem fazendo esforços para entrar em mobilidade. É uma grande parceira nossa, então estamos falando com eles. Não podemos não abrir as portas, que estão abertas para parceiros de longa data, como a Microsoft, também”, observa. Ele não fornece, porém, mais detalhes, como datas de lançamento de aparelhos 4G, nem arrisca previsão sobre criação com Intel ou Windows.

Enquanto isso, os Android com chipset Mediatek tomam conta da fábrica. A empresa buscou uma aproximação com o Google para garantir homologação dos dispositivos pela gigante de buscas. “Somos a única empresa de capital nacional com contrato com o Google. Somos obrigados a atender todos os requisitos para que os devices sejam aprovados. A gente tem o bônus de fazer com que os devices sejam qualificados. As mudanças que fazemos no Android são todas aprovadas pelo Google. A gente não tem nenhum fork, como outros fabricantes”, afirma Maurício Roorda, vice-presidente de marketing e produto da Positivo Informática.

Estratégia
A produção dos aparelhos vem sendo realizada na planta de Curitiba. Atualmente a fábrica conta com capacidade de produção de 80 mil telefones ao mês, e que pode ser facilmente ampliada, segundo os executivos da empresa. Apesar de produzir em Manaus e na Argentina, não há previsão de expandir a produção a estas plantas. No caso da Argentina, a Positivo ainda não informa planos para competir pelo mercado local de smartphones.”O Brasil é uma vitrine. Quem faz sucesso aqui, faz diferença”, diz Filho, lembrando que hoje somos o quarto país em vendas de smartphones.

A estratégia da empresa consistirá, além dos aparelhos mais baratos, que se beneficiam dos descontos do PPB, utilizar os canais que possui. De acordo com Filho, são 10 mil pontos de venda no varejo e 9 mil revendedoras. E agora, a participação das lojas das teles. “Com operadoras, temos boa perspectiva de escala. Ganhamos em volume, e consequentemente em poder de negociação com fornecedores de componentes. As operadoras representam hoje 40% a 47% das vendas de smpartphones no pais”, lembra. Oi e Tim já firmaram contrato, Vivo faz ajustes finais para acrescentar os celulares ao portfólio no primeiro trimestre de 2015. Com a Claro há negociações, mas o executivo não prevê datas.

Além disso, Positivo diz estudar de perto o consumidor local. De acordo com Filho, os recursos mais buscados pelos brasileiros, segundo levantamentos próprios, são qualidade fotográfica da câmera, design e poder de processamento. Por isso os três modelos anunciados pela empresa não possuem sintonizador de TV. “A busca por celular com TV digital não está entre as tops. É um esforço de marketing das empresas [concorrentes] em usar como diferencial a diretriz do governo para se beneficiar do PPB, fazendo com que pareça um atrativo forte de venda”, defende. 

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