Pontes indica que vai exonerar diretor do Inpe por críticas a Bolsonaro


O ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Marcos Pontes, deverá exonerar do cargo o diretor do  Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Ricardo Galvão, por ter repreendido o presidente Jair Bolsonaro em razão dele ter criticado a divulgação de dados do órgão a respeito do desmatamento da Amazônia nos últimos dois anos.É o que indica a nota publicada no site do MCTIC, em que o ex-astronauta condena os termos usados por Galvão, que chamou Bolsonaro de “pusilânime e covarde”. Pontes afirma: “Embora entenda o contexto do fator emocional, discordo do meio e da forma utilizada pelo diretor, visto que não corresponderam ao tratamento esperado na relação profissional, especialmente com o Chefe do Executivo do País”. Cita que convidou o diretor para esclarecimentos e orientações. “A partir dessa reunião serão definidos novos passos”, informa a nota.

No último sábado (20), Galvão admitiu a exoneração. “Posso até ser demitido, mas não se pode atacar o Inpe”, comentou. Disse ainda que Bolsonaro, como presidente da República, não poderia falar em público como se estivesse em uma “conversa de botequim” e completou dizendo que o presidente “fez comentários impróprios e sem nenhum embasamento”.

PUBLICIDADE

O presidente criticou dados divulgados pelo instituto e disse que prejudicam a imagem do Brasil no exterior. Bolsonaro acusou o órgão de mentir dados sobre o desmatamento e atuar a serviço de uma ONG. “A questão do Inpe, eu tenho a convicção que os dados são mentirosos, e nós vamos chamar aqui o presidente do Inpe para conversar sobre isso, e ponto final nessa questão”, declarou o presidente, que ainda emendou: “Se for somado o desmatamento que falam dos últimos 10 anos, a Amazônia já acabou. Eu entendo a necessidade de preservar, mas a psicose ambiental deixou de existir comigo.”

Veja a nota do ministro na íntegra:

“Com relação aos dados de desmatamento produzidos pelo INPE, organização pelo qual tenho grande apreço, entendo e reconheço a estranheza expressa pelo nosso presidente Bolsonaro quanto à variação percentual dos últimos resultados na série histórica.

A contestação de resultados, assim como a análise e discussão de hipóteses, são elementos normais e saudáveis do desenvolvimento da Ciência, suas teorias e metodologias.

O INPE tem feito essas análises por muito tempo. Tenho certeza que um relatório técnico esclarecerá rapidamente qualquer dúvida sobre os resultados.

Portanto, o MCTIC está solicitando ao INPE um relatório técnico completo contendo os resultados da série histórica dos últimos 24 meses, assim como informações detalhadas sobre os dados brutos, a metodologia aplicada e quaisquer alterações significativas desses fatores no período.

O relatório será analisado conjuntamente pelos técnicos do MCTIC, do INPE e do MMA, sempre visando a melhoria continuada do monitoramento e preservação ambiental, assim como o aperfeiçoamento das ferramentas e metodologias empregadas no sistema.

Sobre as declarações do diretor do INPE, organização vinculada ao MCTIC, que foram feitas à imprensa em resposta ao questionamento do Presidente da República Jair Messias Bolsonaro em relação aos dados de desmatamento.

Embora entenda o contexto do fator emocional, discordo do meio e da forma utilizada pelo diretor, visto que não corresponderam ao tratamento esperado na relação profissional, especialmente com o Chefe do Executivo do País.

Em consequência, o Diretor do INPE foi convidado pelo MCTIC para esclarecimentos e orientações. A partir dessa reunião serão definidos novos passos.

Portanto, o tratamento das questões relativas aos dados de desmatamento e as declarações do diretor do INPE está em curso, não havendo no momento mais nada a acrescentar sobre o assunto. Havendo desdobramentos significativos em qualquer das questões, eles serão divulgados oportunamente.

Marcos Pontes

Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações – MCTIC”

Anterior "A indústria brasileira está defasada em tecnologia", acusa Abimei, em defesa da portaria 309
Próximos RFS desenvolve camuflagem para antenas 4,5G compartilhadas