Plano de separação de ativos do Grupo TIM preserva a TIM Brasil


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O Grupo TIM, antiga Telecom Italia, divulgou na noite de ontem, 2, um plano de separação estrutural de ativos que prevê a criação de duas empresas com operação independente: a Netco vai concentrar os ativos de infraestrutura da companhia na Europa; já a ServCo reunirá a carteira de clientes no velho continente e toda a operação da TIM Brasil.

O plano foi elaborado por Pietro Labriola, que antes de assumir o comando do Grupo TIM, era CEO da TIM Brasil. O conselho de administração da holding deu carta branca para Labriola fazer todo o necessário para levar a cabo a separação estrutural até a apresentação dos resultados de meio de ano, que geralmente se dá entre julho e agosto.

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Segundo o Grupo TIM, a separação estrutural vai “liberar o valor intrínseco dos ativos”.

A partir da segregação, o grupo acredita que haverá leve aumento das receitas com serviços nos próximos anos. E prevê que o EBITDA (lucro antes de impostos, juros, depreciações e amortizações) fique estável nos anos de 2022, 2023 e 2024.

Se como um todo o grupo prevê crescimento baixo, no Brasil, o cenário é distinto. A compra de fatia da Oi Móvel pela TIM deve resultar em forte aceleração, principalmente em razão de “sinergias” advindas a integração completa da infraestrutura da rival, do espectro e da incorporação da carteira de clientes. A transação foi liberada este ano pela Anatel e pelo Cade.

O plano industrial de Labriola é uma alternativa à venda do Grupo TIM para o fundo norte-americano KKR, que apresentou oferta de cerca de € 11 bilhões pelo controle absoluto da holding. A oferta ainda é alvo de análise de um comitê independente constituído apenas para verificar se é vantajosa para acionistas. O comitê ainda não terminou suas análises, diz a empresa. Isso deve acontecer “em breve”.

Vale lembrar que o Grupo TIM é a principal multinacional de telecomunicações da Itália, antiga estatal, com maior rede fixa e móvel. Tem entre os sócios o governo italiano, dono de uma “golden share” que pode ser acionada para impedir negócios indesejados aos olhos do país. O sócio majoritário do Grupo TIM, atualmente, é a companhia francesa Vivendi.

Os plano detalhado ainda será apresentado ao mercado “antes dos resultados de meio do ano”, diz a companhia. O material informativo da aprovação pelo conselho diz que a estratégia de Labriola foi garantir ampliação da infraestrutura em fibra no fixo e em 5G no móvel. Além de colher fundos do NRRP, o plano de recuperação da Itália após a pandemia de Covid-19.

A separação estrutural vai “deixar para trás o atual modelo de integração vertical”, completa a dona da TIM Brasil.

O Grupo TIM diz que a estratégia também vai permitir à companhia conseguir novos sócios para cada uma das unidades.

O custo da separação, afirma, será baixo. Serão criadas a empresa Servco, que vai reunir os ativos móveis, plataformas de serviços, e data centers. Esta unidade terá dentro de si a TIM Brasil, todos os negócios corporativos da TIM Itália, a carteira de clientes finais e PMEs, além das empresas Noovle (de nuvem), Olivetti e Telsy.

A Netco vai reunir os ativos de rede fixa, o negócio de atacado doméstico e a Sparkle, operadora internacional de capacidade e cabos submarinos.

O plano é trocar a tecnologia FTTC (fibra até o armário) por FTTH (fibra até o domicílio) na Itália. Hoje, 94% dos acessos da TIM Itália são do tipo FTTC. A meta é chegar 60% da última milha em FTTH até o final de 2026. A Netco será uma rede neutra, vai competir no mercado atacadista.

Com isso, este ano haverá um pico de investimentos (Capex) na implantação de fibra. O Capex do Grupo será de € 4 bilhões em 2022, € 3,9 bilhões em 2023, e € 3,8 bilhões em 2024.

O endividamento da companhia, hoje em € 29 bilhões, vai crescer mais de 10% no período, para € 32,8 bilhões.

O plano prevê também muitas demissões. Haverá demissão e aposentadora incentivadas para acelerar a redução dos quadros e dos custos com pessoal.

“Com o novo plano industrial definido, agora os assessores financeiros e jurídicos do conselho de administração têm elementos para avaliar a proposta não vinculante apresentada pelo fundo KKR”, diz comunicado do Grupo TIM.

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