Pesquisa do BID aponta que brasileiro tem internet no celular para usar o WhatsApp


O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) publicou em março um relatório sobre a satisfação dos brasileiros com os serviços públicos digitais. Conclui que a população brasileira está conectada e se considera bem adaptada ao mundo digital, mesmo com desigualdades previsíveis de idade, nível de educação formal e renda.

Nos três níveis de governo, o nível de satisfação com os serviços digitais foi muito superior aos níveis de insatisfação. Uma parte importante da população não conhecia a oferta de serviços digitais dos municípios. A diferença de satisfação com os serviços digitais do setor privado é importante, marcando a necessidade de aprofundar e acelerar a transformação digital no setor público.

O documento traz pesquisa realizada pela empresa IDEIA Big Data entre os meses de outubro e dezembro de 2020, com uma amostra representativa da população brasileira de idade superior aos 16 anos, entrevistando 13.250 pessoas distribuídas em todo o território nacional.

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Os dados trazem também algumas informações sobre hábitos de consumo. Dos entrevistados que usam o celular para navegar na internet, 97% dizem que têm o aparelho para usar o WhatsApp, enquanto 85% afirmam que é para usar redes sociais, 69% para ver emails, 69% para ver vídeos, 64% para acessar notícias, 57% para participar de videochamadas, e 46% para participar de  aulas, cursos ou palestras. As opções, não custa lembrar, não são excludentes entre si, por isso o porcentual total superar em muito os 100%.

Quando perguntados que tipo de atividades realizaram nos últimos seis meses pelo celular, 65% dizem que acessaram bancos, enquanto 47% fizeram compras por apps como iFood ou Magalu; 40% usaram apps de transporte; 34% solicitaram benefício social, como bolsa família ou FGTS.

Serviços públicos x serviços privados

O relatório diz que embora a maioria dos brasileiros tenha se adaptado bem à urgente digitalização provocada pela pandemia de covid-19, os serviços públicos digitais ainda precisam melhorar.

Dentre os entrevistados que conhecem os serviços públicos digitais, a proporção daqueles que se dizem satisfeitos e muito satisfeitos com a oferta disponível quase não varia de acordo com os níveis de governo. O grau de satisfação com a disponibilidade de serviços federais alcança 55% (com 14% de insatisfação e 31% neutros), é de 53% em nível estadual (com 11% de insatisfação e 36% neutros) e, nos casos dos serviços prestados por municípios, é de 54% (13% de insatisfação e 33% neutros).

Também se destaca o grau de conhecimento do portal de serviços do governo federal, o Gov.Br (90%), superior aos níveis registrados por demais serviços digitais do governo federal (70%), dos governos estaduais (66%) e dos municípios (56%). O portal também registra baixo nível de insatisfação no uso, 11%.

Dos entrevistados, 35% avaliaram os serviços digitais privados (última compra on-line) como muito
bons, índice muito superior ao número de pessoas que avaliaram como muito bons os serviços digitais
oferecidos pelo governo federal (5%) e pelos estados (2%) e municípios (4%).

Conclusões

A pesquisa indica que a grande maioria dos cidadãos brasileiros (86%) se sente adaptada ao mundo digital e está conectada (87% com wi-fi em casa, 95% pelo celular). Os governos devem investir mais no desenvolvimento de serviços que usem o WhatsApp.

A brecha digital está centrada em grupos econômicos específicos. Alguns dos grupos que apresentam menos capacidade de adaptação ao mundo digital identificados foram as pessoas com mais de 60 anos, os indivíduos com baixa escolaridade formal e as pessoas com renda mais baixa. Esses grupos também acessam a internet principalmente pelo celular.

“Nesse contexto, seria importante investir na melhoria da conectividade de banda larga, na disponibilidade de computadores e na alfabetização digital para esses grupos, a fim de superar a brecha digital no Brasil”, recomenda o BID.

A diferença na percepção de qualidade dos serviços públicos digitais, em relação aos privados, leva o BID a recomendar pressa na digitalização das três esferas de governo. O banco sugere mais serviços digitais e mais simples, um governo digital integrado, com acesso digital único e interoperabilidade entre as instituições, e uso de serviços preditivos personalizados conforme o perfil do cidadão.

Conclui ainda que estados e municípios precisam de empenho ainda maior que o governo federal, pois seus serviços digitais são ainda menos conhecidos.

O documento completo pode ser lido aqui.

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