“Passamos no teste”, diz Ferrari, do SindiTelebrasil, sobre as ações de telecom nesse início de pandemia


Para o presidente-executivo do SindiTelebrasil, Marcos Ferrari, as operadoras precisam manter o fluxo de caixa para continuar a remunerar os cerca de três milhões de trabalhadores que estão ativos para a manutenção das redes de telecomunicações de todo o país.

O presidente-executivo do SindiTelebrasil, Marcos Ferrari, ao fazer hoje 23, balanço da atuação das operadoras de telecom nesse primeiro mês de isolamento social devido à pandemia do Covid-19 avalia que o setor conseguiu agir rápido para atender às demandas da sociedade e do governo; implementou iniciativas para manter a continuidade dos serviços para os clientes e manteve a integridade das redes, apesar do aumento no volume de dados consumidos.

Conforme estimativa do sindicato, houve aumento médio de 30% no tráfego de dados desde que foi implementado o isolamento social em todo o país, e isso significou, assinala o executivo, aumento nos custos de operação para todas as empresas. “Apesar disso, não houve risco sistêmico nas redes, que estão suportando o incremento da demanda. Passamos no teste”, afirmou.

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Entre as iniciativas implementadas pelas operadoras nesse período, ele destacou a liberação para clientes e não clientes dos canais de TV e lives; a liberação sem cobrança de franquia de dados de todos os apps do Ministério da Saúde e dos apps e sites criados pelo Executivo para o pagamento dos recursos emergenciais de R$ 600 que também podem ser acessados sem o consumo de dados do usuário. Citou também os bônus de franquias do celular para diferentes redes sociais, o parcelamento em 10 ou 12 vezes das contas telefônicas.

E, para manter o protagonismo nesse período – no qual o isolamento social foi amenizado pela interação virtual – Ferrari assinala que continuam trabalhando pelo menos três milhões de empregados das operadoras de telecomunicações – grandes e pequenas-. ” As empresas precisam manter o fluxo de caixa, para continuar a prestar os serviços essenciais”, completou.

Uma das medidas que deram fôlego às empresas, reconhece o executivo, foi a edição da MP 952, que autorizou o diferimento do recolhimento das taxas setoriais, que deveriam ter sido efetivadas em março. “As operadoras também estavam sentindo fortemente a crise varejista, já que suas milhares de lojas também estão fechadas, e essa Medida Provisória evitou que o caixa das empresas fosse prejudicado”, afirmou, ressaltando o apoio da Anatel e do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações para essas iniciativas.

Moratória

Mas se a edição da MP deu um “refresco” para o caixa das empresas, Ferrari ainda mantém a preocupação em relação às iniciativas legislativas estaduais e ações judiciais que proliferam no país e que sugerem moratórias para o pagamento das contas telefônicas. “As operadoras de telecomunicações precisam manter o fluxo de caixa para dar continuidade aos serviços, e qualquer risco de aprovação das propostas de moratórias quebram esse equilíbrio”, completou o executivo.

Para Marcos Ferrari, é preciso agora desenvolver ações de políticas públicas que visem contemplar a população mais vulnerável, e que precisa de subsídios para manter-se conectada. E cita o Fust (Fundo de Universalização das Telecomunicações) como uma fonte provável a ser usada para o estabelecimento dessa política. “O Fust e dos demais fundos setoriais já recolheram, desde que foram criados, R$ 103 bilhões, e só foram usados R$ 8 bilhões. Podemos  pensar em usar pelo menos os valores correntes deste ano, que em média representam R$ 1,2 bilhão”, concluiu.

 

 

 

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