Para a Vivo, consumidor já assimilou bloqueio da navegação ao fim da franquia


Para a operadora de telefonia móvel Vivo, o usuário já compreendeu a nova dinâmica de bloqueio da internet ao final da franquia, o que fez aumentar, inclusive, a percepção de qualidade das redes. Em conversa hoje, 03, com jornalistas, em São Paulo, Christian Gebara, chief revenue officer da Telefônica Vivo, falou que agora há mais transparência na relação entre as empresas e os clientes do que no ano passado, quando ainda vigoravam os planos com acesso a velocidade reduzida.

“O mercado consumidor já assimilou que não existe mais o ilimitado. O cliente entendeu que existe o bloqueio ao fim da franquia. E percebemos, em nossos atendimentos, que antes eles acreditava que estava navegando em uma rede ruim, quando era a velocidade reduzida”, disse.

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Em compensação, com uma navegação mais rápida, aumentou o ritmo do consumo da franquia. “Pode ser que o limite seja alcançado muito mais rápido do que ele esperava. Mas aí é nossa responsabilidade, como operadora, ensinar sobre o uso adequado do smartphones, pois há aplicativos que consomem mesmo quando não estão abertos”, ressaltou. A Vivo e outras operadoras criaram uma campanha na internet para educar o consumidor sobre esses aplicativos e sugerir maneiras de economizar no uso dos dados, após acordo com o governo.

O executivo comenta que a operadora, apesar de ser aquela com maior market share no pós-pago, quer crescer também no pré-pago e na modalidade controle, espécie de pré-pago com compromisso de pagamento mensal por parte do cliente. “Em algumas praças estamos testando entregar o dobro de dados pelo mesmo preço no pré-pago. E no controle, iniciamos uma oferta para que, até o fim do ano, os clientes recebam também o dobro de dados”, disse.

Gebara lembrou que o consumo de dados e de serviços de valor agregado crescem sem parar. Em 2014, os segmentos, juntos, tiveram receita de R$ 1,6 bilhão. Apenas nos seis primeiros meses deste ano, o valor alcança R$ 949 milhões, conforme o último balanço. O número já se equipara aos faturamento com voz. Apenas SVA faturou R$ 481,3 milhões no segundo trimestre, 20% mais que um ano antes. Gebara acredita que o ano terminará com crescimento de dois dígitos: “Não estamos observando tendência de queda de consumo em função de crise. Não sentimos desaceleração em valor agregado”.

Para ser uma OTT
Na esteira dessa tendência inevitável de maior consumo de dados, a operadora quer ser protagonista, em vez de esperar o desenvolvimento por terceiros, e ela mesma entregar os serviços OTT que demandem suas redes. Gebara indica que, atualmente, possui 43,2 milhões de usuários em 88 serviços de valor agregado, no segmento ao consumidor final. As áreas com maior destaque são Entretenimento, Educação e Segurança.

Para ditar as tendências, a companhia lançou, na semana passada, dois aplicativos que mesclam conteúdo e competição nas áreas de música e de empreendedorismo. Em música, a empresa criou o Meu Show. O aplicativo organiza uma competição entre músicos com o objetivo de revelar novos talentos. Apenas usuários da Vivo poderão concorrer a até R$ 500 mil em prêmios, fazendo o upload de clips próprios, de até 27 segundos de duração. Mas usuários de qualquer operadora poderão baixar o aplicativo e pagar pelas dicas e aulas musicais presentes no programa, além de votar nos concorrentes favoritos. A modalidade paga custará R$ 3,99 por semana. O desenvolvimento do serviço aconteceu em parceria com a Movile e a Kontente, responsável pela interface.

O app de empreendedorismo, batizado de Meu Negócio, traz Roberto Justus como juiz de um concurso que vai eleger três empreendimentos ou empreendedores vencedores. Neste caso, serão R$ 200 mil em prêmios. Mais uma vez, apenas clientes Vivo podem competir, inscrevendo um plano de negócios. Mas usuários de outras operadoras podem baixar o app e pagar para ter acesso aos conteúdos, compostos por dicas, testes e vídeos de Justus.

Imagens da tela do app de concurso musical Meu Show e do concurso de empreendedorismo Meu Negócio, da Vivo
Imagens da tela do app de concurso musical Meu Show e do concurso de empreendedorismo Meu Negócio, da Vivo
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