Para TIM, 3G só valerá a pena se móveis puderem transmitir conteúdo.


Para as operadoras móveis, antes de saber quanto custarão as licenças de 3G no Brasil e como elas serão vendidas, é preciso ter claro quais serviços as empresas poderão prestar na nova tecnologia. Foi o que afirmou hoje, 10, o presidente da TIM Brasil, Mario Cesar Pereira de Araujo. Segundo ele, é fundamental que as …

Para as operadoras móveis, antes de saber quanto custarão as licenças de 3G no Brasil e como elas serão vendidas, é preciso ter claro quais serviços as empresas poderão prestar na nova tecnologia. Foi o que afirmou hoje, 10, o presidente da TIM Brasil, Mario Cesar Pereira de Araujo. Segundo ele, é fundamental que as operadoras saibam se poderão fazer triple play (voz, dados e imagem) ou quadruple play (serviços fixos, móveis, dados e imagem) com as novas faixas de frequëncia. Ele frisou que o principal ponto é se as móveis poderão trafegar conteúdo ou não. "Para que investir em tecnologia se as operadoras não poderão trafegar conteúdo? É importante que as regras estejam claras antes de o jogo começar”, disse o presidente da TIM.

Sobre o adiamento da licitação das faixas de 3,5 GHz e 10,5 GHz, que foi determinado pelo Palácio do Planalto esta semana e deverá ser aprovado pelo Conselho Diretor da Anatel na próxima semana, Araujo disse que a TIM continua interessada na concorrência, mas admitiu que a inclusão de mais obrigações de atendimento para as operadoras com o intuito de ampliar a universalização do acesso a banda larga, pode reduzir o interesse dos investidores. “O investidor está disposto a aplicar, mas ele também quer retorno do que foi investido”, disse Araujo.

Ele ressaltou que, na prestação de serviços privados, como o caso da telefonia celular, a interiorização do atendimento é uma decisão que compete às empresas de acordo com a capacidade de investimento que elas têm e do retorno proporcionado. Em algumas regiões do país, não é economicamente viável oferecer 100% de cobertura, por exemplo. Nesses casos, seria importante o papel do Estado.

MG

Araujo lembrou que, em Minas Gerais, onde o governador Aécio Neves sancionou lei criando um fundo de R$ 200 milhões para universalização do serviço celular e de infra-estrutura para transmissão de dados, o poder público vai arcar com parte do custo da interiorização do serviço. 

Como presidente do conselho da Acel (Associação Nacional das Operadoras Celulares), Araujo empossou hoje Ércio Zilli na presidência executiva da entidade. O presidente da TIM ressaltou que a Acel seguirá a mesma linha de atuação que tem adotado até agora: nas questões nas quais é possível haver um posicionamento comum entre as operadoras, como o bloqueio dos sinais celulares nos presídios e o debate sobre os efeitos da radiação eletromagnética, ela atuará no interesse conjunto das empresas; e nas questões sobre as quais há divergências entre os associados, como na discussão entre fixas e móveis sobre remuneração de redes, ela deixará que as operadoras tomem suas decisões.
Antenas
Araujo informou que a Acel solicitou ao governo de Minas Gerais que inclua no edital de licitação que contratará operadoras para universalizar o serviço celular no estado que as regras da concorrência garantam que a infra-estrutura instalada pelas empresas será preservada. Minas é unidade da federação com o maior número de leis que interferem na instalação de estações radiobase (ERBs), sob o argumento de preservação do patrimônio histórico, ou de proteção da população aos efeitos da radiação. “É preciso ter estabilidade legal”, completou Araujo.
Bloqueadores

Araújo informou, ainda, que, atualmente, apenas na cidade de Campo Grande (MS) os sinais do serviço celular estão bloqueados por determinação legal. Desde maio, as operadoras móveis têm sido obrigadas a suspender os serviços em regiões próximas a presídios de alguns estados, em função da ação do crime organizado. Segundo ele, diretores da Acel têm conversado pessoalmente com juízes e promotores sobre as consequências negativas para a população do corte de sinal e, em muitos casos, os próprios juízes se convencem de que é preciso revogar a medida e determinam o religamento das ERBs.

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