Para técnicos da Anatel, regulação do Open RAN deve ser mínima


Para o superintendente de Outorga e Recursos à Prestação da Anatel, Vinícius Caram, a regulação a ser elaborada pela agência a respeito da Open RAN deverá ser mínima, a fim de não criar obstáculos à adoção da tecnologia no país. A seu ver, a chegada da 5G vai exigir muito mais das redes e mais equipamentos. Sua estimativa é que o número de sites das operadoras se multiplique por três.

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Com essa expansão, defende, haverá oportunidade para o Open RAN crescer no Brasil por meio da oferta de novos fornecedores, além do competidores tradicionais Ericsson, Nokia, Huawei, NEC e Motorola Solutions, disse, durante a segunda reunião do Grupo de Trabalho da Anatel sobre Open RAN, realizada na manhã desta quarta-feira, 16.

Segundo Caram, a Open RAN tem o poder de trazer economia de até 30% à implementação de rede das operadoras no médio e longo prazos. Ele comentou números do TIP (Telecom Infra Projecto), pelos quais a Open RAN vai acrescentar US$ 285 bilhões ao PIB mundial.

O superintendente levantou a questão sobre qual deve ser a atuação do regulador para garantir que a tecnologia pegue no país. E defendeu que as empresas se autorregulem. “Precisa a agência dar um selo Open RAN? Ou deixamos para indústria, operadoras, orquestradores, regularem isso? Em alguns países, prestadoras têm instigado as agências a colocar uma padronização. Mas, de nossa parte, acho que pode encarecer o uso da tecnologia. Então acredito no modelo de autorregulação”, afirmou.

Davison Gonzaga, gerente de certificação e numeração da agência, concordou que se a Anatel tiver que certificar os equipamentos com base em requisitos específicos de Open RAN, pode não apenas onerar, como atrasar o lançamento de produtos. “A ideia da área técnica é regular o mínimo possível, e a regulamenta ser criada apenas para corrigir eventuais problemas”, completou.

Daniel Marques, também da Anatel, concordou, mas lembrou que pode ser necessário traçar regras em relação à segurança por conta do aumento de elementos de rede. E pelo fato de que, ao menos até este momento, a entidade internacional de padronização 3GPP não definiu padrões para todas as arquiteturas de rede aberta. “E não sabemos ainda se a O-RAN Alliance, a OpenRAN Policy Coalition ou a OpenRAN Brasil farão isso”, ponderou.

Empresas

O ponto de vista é consensual entre as empresas do setor. Wilson Cardoso, da Nokia, afirmou: “Defendemos autorregulação. Uma cabeça de rádio monovendor não é diferente de uma cabeça de rádio Open RAN”, resumiu. Abrint, Cisco, Qualcomm e Parallel Wireless também se manifestaram a favor da autorregulação.

Cardoso, da Nokia, também defendeu que os laboratórios de pesquisa em telecomunicações do Brasil sejam todos interligados entre si, a fim de acelerar o desenvolvimento. Tal medida, disse, poderia reduzir os custos com pesquisa.

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