Para diretor da Cisco, regulação está impedindo investimentos na América Latina


As tendências de IoT (internet de todas as coisas), cloud, redes inteligentes e virtualizadas estão levando a uma evolução no modelo de negócios, no qual os operadores de telecomunicações terão oportunidade de criar valor (em seu mercado e em mercados adjacentes). Na América Latina, no entanto, “o grau de intervenção regulatória está mudando e impedindo a inovação e investimentos”, disse hoje Andrés Maz, diretor de Política da Cisco para América Latina, em conferência realizada para analistas e jornalistas de telecom, em Buenos Aires. “Temas que não eram prioridade, como privacidade, passam a ser um dos temas mais importantes”, afirmou, citando o Marco Civil da Internet, cujo projeto foi aprovado no Brasil, com previsão de regulamentação da lei no segundo semestre.

O diretor da Cisco citou ainda a regulamentação do espectro, enfatizou que o mercado na região tende a se consolidar, com fusões e aquisições, mas que é necessário também mudar a mentalidade, com alianças estratégicas. “A consolidação do mercado passa por joint venture, associações estratégicas, fundamentais para os operadores de telecom, que terão que mudar sua estrutura organizacional”, afirmou.

Por outro lado, Andrés Maz destacou que, ao contrário do mundo, na região, o ARPU (receita média do usuário) de voz fixa não está em declínio. De acordo com o executivo, o ARPU da banda larga fixa na região é superior ao de outros países, com média de gasto mensal de 28 dólares, contra a média mundial de 26 dólares. “A tendência de crescimento da receita média continua, pois o triple e quadruple play estão impulsionando o crescimento da voz fixa”. No mobile, ao contrário, o ARPU está baixando na região e um dos fatores “é a grande pressão das tarifas fixo-móvel”, afirmou.

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Novo modelo

Na visão da Cisco o segmento de service provider – setor que na definição da companhia reúne todas as empresas que prestam algum serviço em telecom: telcos, operadoras de cabo (TV paga) e empresas OTT – é um mercado que está mudando rapidamente e exige um novo modelo de negócios. “Neste momento de transição da tecnologia, as redes de infraestrutura têm que evoluir, para que tenham mais flexibilidade e estejam adaptadas à necessidade das aplicações”, disse Lucas Olocco, diretor de Service Provider da Cisco. “Estamos entrando na era liderada pelas aplicações e não mais pela infraestrutura”, sentenciou.

Na análise da empresa, o aquecimento verificado há cinco anos, com fusões e aquisições, se repetirá agora. “Tivemos a AT&T comprando a DirecTV e veremos outros mergers, de empresas comprando outras para adquirir novas habilidades”, afirmou Olocco.

Do ponto de vista da tecnologia, a Cisco aposta na mudança que transforma a indústria, com a área de TI entrando mais no mercado de telecom. Olocco citou como exemplo os data centers e a virtualização nas telecomunicações. “Com a nuvem teremos um modelo disruptivo e a virtualização em telecom vai exigir dos operadores uma mudança na sua forma organizacional”, afirmou. Segundo ele, as operadoras terão que mudar radicalmente seus modelos organizacionais.

“Hoje, a necessidade de definir uma demanda parte da equipe comercial, que checa o potencial de clientes para um produto, analisando um período de 1 a 2 anos, aí lança um novo serviço no mercado. Mas, a partir de agora, com a aceleração da tecnologia, isso muda e a lógica se inverte. A engenharia é que vai perguntar ao comercial o que ele necessita para vender”, exemplificou.

* A jornalista viajou a convite da Cisco

 

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