Para analistas, compra da Oi Móvel por Claro, TIM e Vivo deve reequilibrar competição


A venda da Oi Móvel para Claro, TIM e Vivo, caso se concretize, deverá reequilibrar o mercado móvel, cuja balança está pendendo em favor da Claro no momento, em virtude a maior concentração de espectro. Como será o fatiamento proposto pelas três grandes teles à Oi não foi revelado, mas gerou altas expetativas e elevou as ações da Oi nesta segunda feira, 20.

O papel ordinário da companhia subiu 10,92%, e atingiu valor de R$ 1,32, o mais alto registrado desde 14 de agosto de 2019, quando a empresa apresentou resultados trimestrais que apontavam prejuízo alto, forte queima de caixa, circulavam rumores de intervenção da Anatel e não havia certeza ainda se a operação de venda da Unitel se concretizaria.

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Este cenário turbulento de apenas 11 meses atrás parece já muito distante para o mercado financeiro, diante do cenário que os economistas vêm traçando a partir da oferta vinculante feita pelas três rivais na última sexta-feira.

O Tele.Síntese apurou que, na bolsa de apostas, as três maiores operadoras móveis do país devem ficar com a Oi Móvel, ainda que o escrutínio regulatório de Cade e Anatel seja intenso. A Algar Telecom, que em parceria com o grupo de Cingapura Archy também fez proposta, é vista como um azarão, uma vez que o grupo das três poderá ajustar a oferta a depender do que acontecer no leilão dos ativos.

O anúncio das propostas também é visto como um incentivo para que os bancos credores que estão contestando a revisão do plano de recuperação judicial aceitem vender a Oi Móvel e separar a fibra óptica do cobre. Para estes bancos, gera mal estar a ideia de um haircut de 60% da dívida detida (mais de R$ 7,5 bilhões), e a previsão de que a Client Co., que terá uma carteira de clientes na maioria de cobre e DTH, ambos em declínio, terá de quitar os pagamentos. Uma negociação está em trânsito com ajuda de um árbitro na vara onde corre o processo de recuperação judicial da Oi, no TJ-RJ.

Nova distribuição de share e espectro

Um dos bancos de investimento que acompanham a Oi é o Bradesco BBI. Ontem, 19, soltou um relatório com estimativas próprias sobre a reconfiguração do mercado móvel esperada com a transação.

Assinado por Fred Mendes, Cristian Faria e Gustavo Tiseo, a análise estima que hoje a Claro tem 174 MHz de espectro móvel. A Vivo, segunda colocada em posse do insumo, tem 148 MHz. E a TIM, 117. Ao comprarem a Oi Móvel, que tem 93 MHz, dividiriam entre si as frequências.

A visão dos analistas é que Claro teria direito a 10% da Oi Móvel, enquanto a TIM ficaria com 50%, e a Vivo com 40%. Dessa forma, a Claro terminaria com 35% do espectro disponível no país para as operadoras, a Vivo também com 35%, e a TIM, com 31%. Hoje, a Claro tem 34%, e a Vivo, 27%, por exemplo.

A carteira de clientes também mudaria a participação de mercado das operadoras. A Claro, que atualmente é segunda colocada, com fatia pouco maior que a TIM, cairia para terceiro lugar, embora aumentasse sua penetração para 26% (ante os atuais 24%). A TIM cresceria para 31% (hoje tem 23%), e a Vivo se manteria no topo em quantidade de assinantes, com 39% (hoje tem 33%).

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