Infraestrutura de telecom pode entrar em colapso no país, diz Abrintel


A infraestrutura de telecomunicações no Brasil precisa de leis que a beneficiem nos municípios, mais investimento e entendimento por parte dos donos de empreendimentos imobiliários sobre as hetnets, ou corre o risco de não acompanhar o crescimento atual da demanda por capacidade.

André Fonseca, conselheiro da Abrintel, entidade que reúne as cinco principais operadoras de torres que trabalham no Brasil, avalia que o setor se encontra em uma encruzilhada. Para ter condições de lidar com o aumento da demanda, as empresas precisam ter mais flexibilidade para construir usando small cells. Mas esbarra nos donos de estabelecimentos como shoppings e aeroportos.

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“O varejo tem que pensar que, se a cobertura fosse excelente, as vendas de smartphones seriam muito melhores. São Paulo tem entre 3 mil e 4 mil sites, enquanto Tóquio tem mais de 30 mil. Se não ampliar isso, a rede vai colapsar”, vaticinou, ao falar no Smartphone Congress, evento que debateu a importância do smartphone para o varejo brasileiro.

Segundo ele, os donos dos locais querem ganhar muito dinheiro com a infraestrutura das operadoras. “O aeroporto de Guarulhos não tem uma rede de telefonia móvel indoor até hoje porque a concessionária quer uma fortuna para deixar uma operadora entrar lá. Vai chegar um momento que as operadoras terão uma postura simples: não quer cobertura? Vai ficar sem”, resumiu.

A situação também não é das melhores para investir. “O investimento no país é em dólares, mas a geração de receita é em reais, e remessa dos resultados em dólares”, lembra. Ele reclama da falta de unidade em legislações municipais para uso do solo, condição determinante para a instalação da infraestrutura. “Vemos a Lei das Antenas com bons olhos, apesar de ainda não ser perfeita. Mas, quando não é a prefeitura atrapalhando, temos cidadãos atacando as instalações, até técnicos com alvará para instalação de equipamento”, falou.

Esse conjunto de fatores pode resultar em um freio na implementação de torres e hetnets. Ele lembra que o Brasil tem cerca de 50 mil sites de telecomunicações. Metade foi construída entre os anos de 1993 e 2000, e 25 mil nos últimos 15 anos.

Município Amigo
Eduardo Levy, presidente do SindiTelebrasil, discorda da posição de Fonseca. Ressaltou que, se houvesse chance de colapso, a rede não mostraria o ritmo de expansão que vem tendo, com aumento do consumo de dados de 50% ao ano. “Se houvesse esse risco, as pessoas não iam ter o acesso que tem hoje, não iam conseguir verificar o e-mail, trocar mensagens”, avalia.

Ele comentou, porém, que o formato de leilões escolhido pela Anatel traz poucos benefícios sociais. “O governo deveria fazer um leilão em que a competição se desse pela cobertura ou pela tarifa, mas o modelo atual é arrecadatório. O leilão de 700 Mhz procurou arrecadar o máximo para o governo. E quais são as obrigações? Não tem”, ressaltou.

Levy disse ainda que o SindiTelebrasil prepara uma iniciativa para incentivar as prefeituras a desburocratizarem a instalação de antenas. O formato ainda está sendo elaborado. Deve ser um concurso, em que os governos municipais serão premiados por atitudes que facilitem a instalação de redes na cidade.

O concurso será lançado entre a segunda metade deste ano e a do próximo, e deverá se chamar Município Amigo da Tecnologia. Iniciativa similar foi feita nos últimos anos apenas no estado do Paraná, onde, diz o executivo, mais de 100 cidades aderiram ao Pacto das Antenas, e desburocratizaram os processos para instalação dessas infraestruturas.

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