Pandemia reverteu queda no uso do computador e acelerou conexão de TVs


Pesquisa realizada pelo NIC.br e divulgada hoje, 13, indica que a pandemia teve reflexos importantes nos hábitos de acesso à internet dos cidadãos. Conforme o material, em junho e julho deste ano 60% dos brasileiros com mais de 16 anos usaram o computador para navegar na internet.

O número é um salto em relação aos 51% registrados na última pesquisa TIC Domicílios, que trouxe dados de 2019. E também uma reversão de tendência, uma vez que a adoção do computador para navegar na internet tinha caído em relação a 2018, quando 53% das pessoas usavam o PC.

Ao mesmo tempo, a pandemia acelerou o uso de novas plataformas de acesso. Os televisores conectados (smart TVs) eram usados por 32% das pessoas para acessar a internet em 2018. Passou para 40% em 2019. Na pandemia, saltou para 58%. A mudança pode ser atribuída ao fato de as pessoas passarem mais tempo em casa, em função do isolamento, utilizando aplicativos de streaming de vídeo e assistindo a lives.

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“Esses aumentos de uso podem ser lidos como mudança dos hábitos que se estabeleceram durante a pandemia”, disse Fabio Senne, coordenador de pesquisas do NIC.br.

A pesquisa também confirmou o que todos que foram enviados para trabalhar em home office perceberam: o ritmo de adoção de apps para chamadas por voz (VoIP) aumentou. Saltou de 76% das pessoas afirmando usar a tecnologia, para 82%. Esse tipo de serviço é mais usado nas classes A e B (89%), mas tem também forte presença nas classes C (81%) e DE (74%).

Os dados mostram ainda incremento na busca por informações relacionadas a saúde na internet, por serviços públicos e por pagamentos ou transações financeiras (veja a imagem abaixo).

Educação e cultura

Os dados foram apresentados hoje durante evento virtual transmitido pelo Youtube. Uma realidade que transformou também a educação. Conforme a pesquisa, 46% dos entrevistados realizaram atividade escolar na internet durante a pandemia, um aumento de 3 pontos percentuais em relação a 2019. A grande diferença resido do que foi feito. Se ano passado 16% fizeram cursos a distancia, agora o número atingiu 33%.

Os indicadores da pesquisa apontam também para os motivos que levaram à sobrecarga das redes de telecomunicações, que viram multiplicar o tráfego na pandemia. Aumentou o consumo de vídeo, de música e leitura de jornais, revistas ou notícias no ambiente digital (veja abaixo).

O levantamento TIC Covid-19 estimou os hábitos online para um universo de cerca de 100 milhões de usuários de Internet a partir de 16 anos de idade. Foram realizadas 2.627 entrevistas pela web e por telefone, entre os dias 23 de junho e 8 de julho de 2020.

O Painel TIC COVID-19 contará com mais duas edições, que abordarão, respectivamente: serviços públicos on-line, privacidade e telessaúde; e ensino e trabalho remotos. Mais informações sobre os próximos painéis serão divulgadas em breve.

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