Oi busca garantia de liquidez de sua participação na Infraco após a venda do controle


A Oi vai vender a Infraco, sua unidade de infraestrutura óptica, no terceiro trimestre do ano. A empresa está em plena negociação com pelo menos três interessados (Highline, BTG e Ufinet), e espera definir a proposta preferencial pelo ativo – chamada stalking horse – ainda neste trimestre. Uma das exigências da operadora para passar o controle para um terceiro é a garantia de que haja liquidez na própria participação. Ou seja, um ponto sensível das negociações é a possibilidade de a Oi vender parte dos 49% de participação que manterá após se desfazer do controle.

Camille Faria, CFO da Oi, afirmou hoje, 14, em live, que essa liquidez poderá vir através da perspectiva de que a Infraco se torne uma empresa de capital aberto, com ações em bolsa, no futuro. Mas há alternativas em estudo, uma vez que uma oferta de ações dependerá do interesse do futuro controlador.

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“A gente acha que a Infraco é uma companhia que nasce com vocação para ser uma companhia pública no futuro. Uma companhia que já nasce como maior wholesale [atacadista] do Brasil. Seria bastante interessante [ter o IPO]”, disse.

Segundo ela, a Oi quer liberdade para vender mais partes da Infraco depois, o que explica a busca por garantias já no contrato de passagem do controle. “Se não for através de um IPO, ao fim do M&A a Oi precisa assegurar alguma forma de liquidez de suas ações. É inadmissível para Oi, se quiser vender um pedaço de sua participação no futuro, não ter garantido um caminho para a liquidez, seja IPO ou outro mecanismo que traga segurança adicional”, ressaltou.

A executiva falou ainda que a diretoria espera aumentar o valor das propostas recebidas informalmente pela Infraco em julho do ano passado. Tais propostas, disse, já vieram “muito boas”. “Esperamos que as propostas vinculantes sejam melhores. Acreditamos que, com as diligências [iniciadas em novembro] os bidders tenham mais segurança para propor [novos valores]”, contou.

No ritmo certo

Faria afirmou ainda que a Oi não vai apressar a venda da Infraco. O leilão judicial está previsto para acontecer no terceiro trimestre, não existe possibilidade de antecipação para fevereiro, conforme pergunta realizada por espectadores da live.

O motivo é a complexidade da venda. Diferente do desinvestimento feito com a Oi Móvel, data centers e torres, em que 100% das ações foram vendidas, no caso da Infraco a Oi seguirá como sócia. Isso exigirá acordos não só de venda de ações, como de investimento em infraestrutura, uso da rede de transporte de longo prazo, aluguel da infraestrutura de acesso disponível, de colocation.

“Tem muito documento, e isso, naturalmente, vai ser objeto de refinamento entre a Oi e quem apresentar a melhor proposta. A gente julga que vai precisar de pelo menos dois meses para finalizar esse documentos satisfatoriamente”, prevê.

Por fim, Faria falou ainda que a Oi não venderá a infraestrutura de rede óptica que tem em São Paulo separadamente. Essa infraestrutura, herdada das empresas Pegasus e Metrorede, fazem parte da Infraco e permitirão a exploração, no atacado, do mercado paulista.

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