Ofertas pela operadora PT não mexem no bloco acionário da Oi


É bem provável que nas duas próximas semanas se defina o futuro da operadora Portugal Telecom que, desde abril deste ano, dentro do processo de fusão Oi/PT, pertence integralmente à Oi. Os dois principais interessados, a francesa Altice e os fundos de equity Apax Partners e Bain Capital, continuam a se movimentar. Segundo informações do mercado português, os fundos aumentaram seu cacife com uma provável associação com os Correios de Portugal para realizar a aquisição. E a Altice já teria contratado os recursos para fazer a compra.

A oferta feita pela Altice, no início do mês, foi de 7,025 bilhões de euros. Os fundos, de acordo com o noticiário internacional, já teriam aumentado a proposta em mais 500 milhões – eles têm até o final de novembro para formalizar o interesse. Nos dois casos, o alvo são apenas os ativos da operadora Portugal Telecom – não envolvem outros ativos na África. Portanto, a venda, se concretizada, não altera o quadro acionário da Oi.

PUBLICIDADE

O que pode alterar, sim, o quadro acionário é se alguém vier a comprar ações da PT SGPS – este era o interesse da empresária angolana Isabel dos Santos, que anunciou uma oferta por 50,01% das ações da PT SGPS, esta uma empresa que só tem dois ativos: um crédito de cerca de 897 milhões de euros com a Rioforte, do grupo Espírito Santos, em processo de liquidação, e 25,6% das ações da Oi e uma opção para mais 11,7%, válida por seis anos, à medida que a PT SGPS recupere os milhões perdidos na Rioforte. A proposta da empresária angolana, no entanto, não avançou, pois ela condicionou a oferta à suspensão da venda da operadora portuguesa e do processo de fusão Oi/PT, o que não foi aceito pelo Conselho de Administração da Oi. Além disso, a proposta não atendia às normas da CVMC, a comissão de valores de Portugal. Mas não há nada que impeça que seja reapresentada.

Fusão

Para concluir o processo de criação da nova Oi para operar no novo mercado – a data prevista é 25 de março de 21015 –, a operadora brasileira ainda tem que vencer duas barreiras. As restrições da SEC norte-americana à PT SGPS, pelo fato de não ter sido transparente em seu balanço sobre o risco da compra dos papeis da Rioforte, e uma autorização da CVM brasileira para que Oi possa ter em sua tesouraria mais de 10% de suas ações – o limite foi extrapolado quando estourou a crise da Rioforte, e a Oi teve de renegociar a participação societária dos acionistas da PT SGPS em seu capital.

Com a redução da participação da PT SGPS, a nova Oi – o nome fantasia da empresa que resultará da operação é CorpCo – terá como maior acionista individual o BNDES, com 5,7%. O maior sócio privado será o Novo Banco, que ficou com os ativos saudáveis do Banco Espírito Santo. Sua participação será, sem a opção pelas ações congeladas, de 5,2%. Os sócios privados brasileiros terão seu capital diluído assim como os demais acionistas da PT SGPS.

O compromisso dos sócios brasileiros da Oi, tanto públicos quanto privados, é conduzir o processo para levar a operadora ao novo mercado, o que foi prometido aos investidores que participaram da captação de R$ 6, 25 bilhões concluída no final de abril de 2014. Também os sócios português da PT SGPS estão convencidos de que esta é a única alternativa.

Os recursos decorrentes da venda da operadora Portugal Telecom serão integralmente aplicados no processo de consolidação do mercado brasileiro de telecomunicações, como informou recentemente o CEO da Oi, Bayard Gontijo. O plano da Oi, que está sendo conduzido pelo BTG Pactual, é comprar a TIM. Em função das barreiras regulatórias e de defesa da concorrência, a proposta em estudo prevê a divisão dos ativos da TIM entre as outras três celulares que operam no Brasil: Claro, Oi e Telefônica.

Anterior Telefónica e British Telecom, juntas?
Próximos Operadoras fazem Black Friday com descontos em aparelhos e planos