O 5G e a disputa pela presidência da Anatel


O xadrez  que envolve o “maior leilão de espectro da história da Anatel”, e possivelmente do mundo, não é apenas econômico, regulatório ou macro político. Diz respeito também à liderança da agência reguladora pelos próximos anos e em quem irá se destacar e “ficar bem na foto” no momento em que o leilão do 5G ocorrer.

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Uma coisa é certa: o atual presidente da Anatel, Leonardo de Morais, que construiu o projeto de realização desse leilão desde 2019, quando o anunciou pela primeira a sua intenção de fazê-lo no Mobile World Congress em fevereiro daquele ano, estará fora da foto. Seu mandato acaba em 4 de novembro, e, se o edital for votado na reunião de 30 de setembro (o que ainda é uma hipótese muito distante), o leilão só acontece depois de sua saída.

Sem presidente, conduzirá o leilão o presidente interino, o conselheiro Emmanoel Campelo, que não faz parte da tríade majoritária da Anatel. Tinha-se como certo que o relator que viabilizou o leilão conforme pretendeu o ministro Fábio Farias, Carlos Baigorri, seria o escolhido certo para a presidência da Anatel.

Mas Baigorri enfrenta, agora, uma candidata fortíssima: a atual secretária-executiva do MCom, a jornalista Estella Dantas, e conterrânea do ministro. Nessa disputa, o “timing” do leilão também é importante. Isso porque, para Estella assumir a presidência e liderar o leilão, terá que ser indicada, sabatinada e aprovada pelo Senado Federal nos primeiros dias de novembro.

Se não houver tempo hábil para tanto, Estella não iria para a Anatel, abrindo a vaga no conselho para dois outros candidatos: Artur Coimbra (atual secretário de Telecomunicações) e Abrão Balbino (atual superintendente de Competição). Para aplainar esta disputa, que pode estar atrelada ao lançamento do edital, poderia surgir, então, um terceiro nome – o de Vicente Aquino, que é parceiro de Faria e companheiro da maioria dos dirigentes da Anatel. A conferir os próximos movimentos.

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