Números do mercado de TV paga divulgados pela Anatel estão defasados


Tele.Síntese Análise 394 Em se tratando de transparência, a Anatel é, sem dúvida, uma das estrelas do Estado brasileiro. Documentos, decisões, contratos, tudo fica disponível, para qualquer interessado, na internet. A agência abre o acesso, logo após uma consulta pública, para as manifestações de todos – empresas, entidades, governo, cidadãos – aos regulamentos que sugere. …

Tele.Síntese Análise 394

Em se tratando de transparência, a Anatel é, sem dúvida, uma das estrelas do Estado brasileiro. Documentos, decisões, contratos, tudo fica disponível, para qualquer interessado, na internet. A agência abre o acesso, logo após uma consulta pública, para as manifestações de todos – empresas, entidades, governo, cidadãos – aos regulamentos que sugere. Essa prática, se é usual da Anatel, não é reproduzida em outras esferas do governo. Só como exemplo, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação lançou a consulta pública sobre a certificação do software nacional, consulta que se traduziu na nova política de preferência para as compras governamentais da Administração Direta, e não divulgou qualquer das manifestações daqueles que responderam ao seu chamamento.

Mas a agência está pecando, no entanto, em relação às informações fornecidas ao mercado sobre a base de assinantes de TV paga. O market share não está refletindo o real número de clientes. Essa defasagem poderá, caso se acumule por muito tempo, ter reflexos até mesmo no mercado de ações.

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A assessoria de imprensa da Anatel confirma que há problemas: “Está sendo instalado um novo módulo para que as operadoras do SeAC introduzam as informações mensais sobre assinantes. Até lá, as empresas continuam usando os módulos atuais e, por esta razão, as informações sobre novas áreas de prestação e das operadoras entrantes estão de fora”. E não há data para o novo módulo funcionar. Até lá, a agência, ao divulgar os números da base de assinantes (por sinal, o mercado de TV paga só tem os números de abril, os de maio já estão atrasados), poderia fazer o alerta público de que as informações estão incompletas. Os números são divulgados como se refletissem o exato cenário do mercado.

Afinal, qual é o tamanho dessa diferença? Um banco que analisa o mercado brasileiro resolveu ir atrás dessa resposta. Ao estudar os números divulgados pela Anatel referentes a abril, o BTG Pactual achou muito estranho o resultado bastante atípico da Net Serviços. Conforme os números, a Sky teria ficado com 52,5% das adições líquidas do mês – muito pequenas, de apenas 160 mil, ou queda de 43,5% frente ao mesmo mês de 2012 –, seguida pela Claro TV, que teria ficado com 20% dos novos clientes.

O banco alertava: a Net, excepcionalmente, só conseguiu 21,3 mil novos clientes, ou apenas 13,3% do mercado. Os analistas não conseguiram explicar esse pífio desempenho da Net, ainda mais considerando que a empresa havia anunciado a expansão de sua cobertura para 44 novas cidades, este ano. A líder do segmento, com 32% do mercado, não estaria dando conta do recado. E diferentes especulações passaram a ser feitas. O problema é que a atuação da Net nas novas cidades não está sendo captada pela Anatel.

Conforme o BTG, que foi atrás dos números exatos, a Net teria um saldo de adições líquidas nessas novas cidades de 24,2 mil clientes. Somadas às adições das cidades tradicionais (21,4 mil), representariam 24,8% do total das adições líquidas de abril. Essa participação corrigida estaria em linha com o desempenho da empresa nos períodos anteriores. No primeiro trimestre de 2013, as adições líquidas mensais da Net foram de 46 mil clientes, ou, participação de 22,4%.

Além do problema do sistema, os números também irão mudar, quando corrigidos em sua integralidade, por conta da segunda maior operadora, a Sky. Nesta quinta-feira, a sua controladora, a Direct TV, lançou comunicado nos Estados Unidos alertando que a Sky “inflou” sua base de clientes no Brasil. O controlador mandou fazer write off de 130 mil assinantes. Os números vão refletir na divulgação da base de maio, na qual, informou a Direct TV, a Sky terá 5,212 milhões de assinantes. A irritação maior da Direct TV é que, por causa desse aumento artificial de base, vai ter de desembolsar US$ 25 milhões a mais para o fisco norte-americano.

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