Novos iPhones e relógio da Apple ampliam oportunidades para operadoras, dizem analistas


Os lançamentos anunciados ontem pela Apple devem se reverter rapidamente em oportunidades para as operadoras, afirmam analistas do mercado de telecomunicações e tecnologia. Entre as possibilidades estão a redução de preços dos dispositivos de geração anterior, promovendo a rotação dos estoques, o sucesso efetivo do pagamento móvel e o sucesso de uma nova categoria de produtos, ampliando o campo de ação das empresas.

Segundo Paul Lambert, analista de estratégias para operadoras da Ovum, o relógio conectado da empresa “vai gerar mais barulho em torno desta categoria de produto, ainda considerado de nicho”. Segundo ele, somado aos novos iPhones, o Apple Watch ajuda a impulsionar o consumo de dados pelos clientes das operadoras de telefonia móvel. “Os iPhones novos suportam mais frequências 4G e têm, também, compatibilidade VoLTE, o que ajuda a ampliar o 4G no mundo”, completa.

Além disso, Lambert acredita que a Apple consegue despertar o interesse no consumidor em pagar mais por produtos e serviços premium. Percepção que as operadoras devem tentar aproveitar para aumentar a receita média por usuário. “É possível reduzir preços dos iPhones anteriores com o intuito de aumentar a posse de smartphones premium para uma gama maior de clientes pré e pós-pago”, analisa. Ele frisa, porém, que com as novidades, a demanda de dados aumentará, o que exigirá mais investimentos em infraestrutura para atender este consumidor mais exigente.

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Pagamentos móveis
O Apple Pay, sistema de pagamentos móveis que usa a tecnologia Near Field Communication (NFC). Para analistas da Analysys Mason, consultoria com foco em telecom, mídia e tecnologia, a Apple pode se tornar, rapidamente, a líder entre as plataformas de pagamento móvel.

“A Apple tem a vantagem graças a uma combinação de recursos de segurança presentes no iPhone 6 e no Apple Watch, dados detalhados de seus usuários, parcerias fundamentais com redes de cartões e varejo”, avalia Enrique Velasco-Castillo, analista de economia digital da Analysys Mason. Entre os recursos de segurança elencados estão: Touch ID, Secure Enclave, “tokenização” e encriptação dos dados trocados entre celular e terminais de pagamento. “Significam conveniência para o público, e menos fraudes para o comércio”, resume.

Ele ressalta também que a tecnologia de pagamentos móveis deve embalar nos mercado maduros, especialmente nos Estados Unidos. “Os bancos dos Estados Unidos deverão migrar, em breve, para cartões EMV, usados mundialmente. Isso vai exigir mudança dos terminais nas lojas do país, que já trarão, provavelmente, tecnologias contactless”, observa.

Castillo ressalta, ainda, que a Apple associa a maior parte de seus usuários a algum cartão de crédito. “Até o quarto trimestre 2015 haverá 1 bilhão de contas cadastradas no iTunes. A Apple parece ser capaz de negociar tarifas mais baixas das redes de cartões, o que pode incentivar a adoção do Apple Pay pelos lojistas”, diz.

Com o anúncio, o Gartner divulgou novas projeções para o uso das plataformas de pagamentos móveis. Segundo a empresa de pesquisas de mercado, o volume financeiro movimentado por NFC vai saltar dos atuais US$ 8 bilhões para US$ 21,9 bilhões em 2016. Quanto disso será responsabilidade da Apple, não é possível dizer. Mesmo com tal crescimento, é um volume financeiro muito menor que o movimentado através de outras tecnologias. Pagamentos por SMS, por exemplo, devem fechar 2014 com volume de US$ 168 bilhões, passando para US$ 262 bilhões em 2016.

Para Eden Zoller, analista para o consumidor da Ovum, o Apple Pay deve aposentar a concepção de carteira digital. “O NFC e a segurança biométrica são parte da equação, mas nem tudo é sobre pagamentos por aproximação. A Apple está preparada para habilitar checkouts online sem que seja preciso inserir dados de cartão, o que deve deixar PayPal e outros provedores de pagamento online preocupados”, fala.

 

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