No vermelho, Liq tenta reunir credores para suspender covenants


A companhia de contact center Liq (antiga Contax) tenta evitar o desembolso financeiro antecipado a debenturistas. A empresa está convocando pela terceira vez no ano os detentores de títulos para assembleias que serão realizadas de 14 a 21 de setembro com a esperança de aprovar a suspensão dos covenants previstos nos contratos

As últimas assembleias, marcadas para ontem, terminaram sem decisão por falta de quorum. Outras já haviam sido marcadas em junho. A convocação diz respeito a detentores de títulos da 1ª, 2ª e 3ª emissão de debêntures, que soma R$ 963,4 milhões.

Pelos covenants, a empresa deveria pagar antecipadamente a dívida, ou parte dela, caso não atingisse índices financeiros pré-determinados. Sem dinheiro em caixa, no entanto, o pagamento seria um problema.

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“A continuidade da dívida representada pelas Debêntures, conforme os prazos e termos da presentes na Escritura, é vital para a preservação dos negócios da Companhia e imprescindível para evitar efeitos adversos relacionados à aceleração dessa e de outras obrigações financeiras da Companhia”, diz a Liq, nas convocações.

Contágio pela Oi

Atualmente, a Liq tem cerca de R$ 132 milhões em caixa, gera prejuízo trimestral e EBITDA também negativo. A empresa tenta uma guinada operacional motivada pela forte perda de receita ocorrida nos últimos quatro anos.

Entre 2014 e 2018, o faturamento caiu pela metade, e deve fechar 2018 em cerca de R$ 1,5 bilhão – cifra menor que os custos operacionais. A companhia explica que a receita no período tombou devido à menor demanda de seus clientes e também por conta da “deterioração do cenário macroeconômico brasileiro”.

O endividamento alcança níveis alarmantes. Conforme projeções elaboradas pela empresa de análise de risco Fitch Ratings, a relação dívida líquida ajustada/EBITDAR (que inclui custos com reestruturação) chegará a 65,9 vezes no final de 2018, e cairá a 21,7 vezes ao fim de 2019, mas ainda será considerado elevado. Atualmente, a dívida total ajustada da empresa é de R$ 1,85 bilhão.

Segundo as projeções da Fitch, caso a geração operacional de caixa continue fraca, a Liq terá dificuldade de honrar o serviço de debêntures emitidas neste ano (cerca de R$ 1,04 bilhão) já em 2019.

A Fitch critica ainda, a concentração das receitas. Diz que é preocupante o fato de mais de metade do faturamento da companhia vir da prestação de serviços para a Oi. “A crise enfrentada pela empresa de telefonia nos últimos anos teve forte impacto na Liq”, ressalta a análise de risco.

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